Ciência

Estudo indica que permafrost da meseta tibetana atingiu ponto de não retorno climático

05 de Junho de 2026 às 12:04

Estudo da Academia Chinesa de Ciências indica que o permafrost da meseta tibetana atingiu um ponto de não retorno. A liberação de gases por microrganismos superou a absorção da vegetação em até 16 vezes em temperaturas entre 2 e 4 °C. A região concentra 47 bilhões de toneladas de matéria orgânica

Estudo indica que permafrost da meseta tibetana atingiu ponto de não retorno climático
El glaciar Yuliya en la meseta tibetana

O permafrost da meseta tibetana atingiu um ponto de não retorno que compromete o equilíbrio climático global, conforme estudo publicado na revista Nature Communications. A região abriga o maior depósito de carbono em ambientes alpinos do mundo, com 47 bilhões de toneladas de matéria orgânica concentradas nos primeiros 10 metros de profundidade. Esse cenário é agravado por um aquecimento local 2,5 vezes superior à média mundial, o que intensifica a instabilidade química do solo.

Para compreender a dinâmica entre a absorção de gases pela vegetação e a decomposição bacteriana, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências instalaram uma estação experimental em Anduo, a 4.790 metros de altitude. Durante um ano, a equipe simulou quatro cenários distintos de temperatura utilizando dispositivos infravermelhos aéreos. A estrutura de monitoramento automatizada registrou mais de 40 mil oscilações de dióxido de carbono por hora e catalogou gases subterrâneos em cinco níveis de profundidade, atingindo 160 centímetros abaixo da superfície.

A análise molecular permitiu distinguir a atividade biológica atual de depósitos milenares. Os dados revelaram que a liberação de gases via respiração microbiana superou a capacidade de absorção da vegetação em uma proporção de até 16 vezes.

O estudo identificou que o limite crítico ocorre quando a temperatura atmosférica oscila entre 2 e 4 °C. Nesse intervalo, a vegetação sofre estresse hídrico, reduzindo a fotossíntese, enquanto o degelo expõe camadas de solo com mais de 3 mil anos. A reativação desses microrganismos subterrâneos deve liberar volumes constantes de gases que não constam nos modelos climáticos vigentes, indicando que as estimativas internacionais sobre o impacto do derretimento do permafrost estão subestimadas.

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