Ciência

Estudo indica que trabalho remoto aumenta quadros de ansiedade e isolamento social entre profissionais

17 de Junho de 2026 às 09:07

Estudo da revista Science indica que o trabalho remoto elevou em 58% as horas de solidão e em 72% a probabilidade de ausência de interação presencial diária. A pesquisa, conduzida por Natalia Emanuel, associa a redução de contatos sociais a quadros de ansiedade, depressão e danos aos sistemas cardiovascular e imunológico

Estudo indica que trabalho remoto aumenta quadros de ansiedade e isolamento social entre profissionais
Universidad de Yale

O trabalho remoto, embora valorizado pela flexibilidade de horários e ausência de deslocamentos, está associado a um aumento significativo de quadros de ansiedade, sintomas depressivos e isolamento social. Um estudo publicado na revista Science revela que a redução das interações humanas cotidianas impacta diretamente o bem-estar psicológico de profissionais cujas funções permitem a execução à distância.

A análise, conduzida pela economista Natalia Emanuel, do Federal Reserve de Nova York, desloca o foco do debate — anteriormente centrado em produtividade e conciliação familiar — para as consequências da perda de contatos sociais diários. Para chegar a esses resultados, a equipe comparou dados de cinco pesquisas nacionais nos Estados Unidos, contrastando ocupações que exigem presença física, como a cirurgia, com cargos compatíveis com o home office, a exemplo de posições em engenharia de software.

Os dados indicam que funcionários em funções remotas tiveram um aumento de 58% nas horas trabalhadas em solidão. O impacto é ainda mais severo na probabilidade de se passar um dia inteiro sem qualquer interação presencial, que cresceu 72% para esse grupo. Esse cenário é agravado para quem reside sozinho, elevando a chance de ausência total de contato humano durante a jornada para 83%.

Essa privação social gera reflexos que extrapolam o estado emocional. Nicholas Epley, professor de ciência do comportamento na Universidade de Chicago, observa que a subestimação do valor das conexões interpessoais pode levar a escolhas equivocadas sobre o bem-estar. O isolamento compromete a saúde física, afetando especificamente o funcionamento dos sistemas cardiovascular e imunológico.

Diante desses achados, a pesquisa sugere que a manutenção de rotinas de contato humano é fundamental para quem trabalha em casa, especialmente para indivíduos que vivem sós. A gestão consciente da vida social torna-se, portanto, um requisito tão essencial para a saúde do trabalhador quanto a infraestrutura técnica de conexão e concentração.

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