Ciência

Estudo questiona se Genghis Khan realmente tem 1 em cada 200 homens como descendente

03 de Março de 2026 às 07:25

Um estudo publicado na revista PNAS questiona a ideia de que 1 em cada 200 homens descendem diretamente de Genghis Khan. A pesquisa analisou restos da elite da Horda de Ouro e encontrou uma sub-ramificação específica do haplogrupo C3*, mais rara hoje, compartilhada por quatro indivíduos sepultados em túmulos associados à Horda de Ouro. Isso sugere que a influência genética do conquistador mongol pode não ser tão ampla quanto pensado anteriormente

Estudo questiona se Genghis Khan realmente tem 1 em cada 200 homens como descendente
Reuters/B. Rentsendorj

Um estudo publicado na revista PNAS desafiou uma das ideias mais difundidas sobre o imperador mongol Genghis Khan: que 1 em cada 200 homens descendem dele. A pesquisa analisou restos da elite da Horda de Ouro e questiona a amplitude real do legado genético do conquistador.

A hipótese de que os descendentes masculinos de Genghis Khan são comuns na Ásia Central surgiu há mais de duas décadas, quando uma equipe identificou um linhagem específica do cromossomo Y chamada haplogrupo C3*. Este marcador foi encontrado em cerca de 8% dos homens da região e se espalhou por vastas áreas da Eurásia. No entanto, o estudo recente questiona essa associação direta.

A equipe liderada pela Universidade de Wisconsin-Madison examinou quatro indivíduos sepultados em túmulos associados à Horda de Ouro e encontrou que eles compartilhavam ascendência paterna. No entanto, os resultados mostraram uma sub-ramificação específica do haplogrupo C3*, mais rara hoje em dia.

O professor John Hawks da Universidade de Wisconsin-Madison explicou que a análise de DNA antigo permite distinguir entre diferentes ramificações genéticas próximas. Essa diferenciação técnica altera significativamente a interpretação tradicional sobre a descendência massiva do líder mongol.

A pesquisa destaca que o linhagem C3* mais comum atualmente pode não corresponder diretamente ao de Genghis Khan, mas sim à expansão de outra ramificação relacionada durante ou antes da era mongol. Sem evidências confirmadas do próprio conquistador, é impossível determinar qual variante específica do cromossomo Y ele possuía.

A localização da tumba de Genghis Khan ainda não foi encontrada com certeza e a tradição situa-a na montanha Burkhan Khaldun. Até que se disponha de material genético inequívoco, o legado biológico do conquistador continuará sendo objeto de debate entre evidência científica e lenda histórica.

O estudo redefiniu a compreensão sobre o alcance real da influência genética de Genghis Khan. Com base nos resultados, é possível que os descendentes masculinos não sejam tão comuns quanto pensado anteriormente. A pesquisa abre novas perspectivas para entender melhor a história e a herança dos povos da região.

A equipe científica destaca que o trabalho visa contribuir para uma compreensão mais precisa do passado, baseada em evidências empíricas. O estudo não busca substituir as lendas históricas pelo mito de Genghis Khan, mas sim oferecer um olhar objetivo sobre a realidade genética da época.

A pesquisa também ressalta a importância da análise cuidadosa do DNA antigo para reconstituir a história dos povos. O estudo demonstrou que é possível distinguir entre diferentes ramificações genéticas próximas, o que pode ajudar a esclarecer questões históricas e culturais.

A equipe científica está ciente de que sua pesquisa não resolve completamente as controvérsias em torno da descendência de Genghis Khan. No entanto, os resultados do estudo fornecem uma visão mais precisa sobre o legado genético do conquistador mongol e abrem novas perspectivas para futuras investigações.

A descoberta também destaca a importância das pesquisas científicas em colaboração internacional. A equipe foi composta por especialistas de diferentes países, que trabalharam juntos para reconstituir a história genética da região.

O estudo é um exemplo do poder da ciência forense e suas ap.

Com informações de El Confidencial

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