Estudo resolve controvérsia sobre origem de cráter no Mar do Norte há 43 milhões de anos
Um estudo publicado na Nature Communications resolveu um dos mais antigos debates sobre a origem do cráter Silverpit. Segundo os pesquisadores, o cráter foi causado pelo impacto de um meteorito que atingiu a água no Mar do Norte há cerca de 43 milhões de anos. O estudo revelou que o impacto provocou um tsunami com mais de 100 metros e liberou grandes quantidades de CO₂
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Um estudo recente publicado na Nature Communications resolveu um dos mais antigos debates entre os geólogos: a origem do cráter Silverpit. De acordo com os pesquisadores da Universidade Heriot-Watt de Edimburgo, liderados por Uisdean Nicholson, o Silverpit é um cráter causado pelo impacto de um meteorito que atingiu a água no Mar do Norte há cerca de 43 milhões de anos.
O estudo destaca que o violento impacto provocou um tsunami com mais de 100 metros de altura. O projétil, estimado em cerca de 160 metros de diâmetro e com uma densidade de 3.300 kg/m³, atingiu a água a uma velocidade de 15 km/s vindo do oeste-noroeste.
A análise dos padrões de falhas revelou que o impacto foi oblíquo, ampliando tanto a violência do tsunami quanto a liberação de CO₂ em relação a um impacto vertical. A equipe realizou simulações do impacto e constatou que as condições encontradas no cráter se encaixam perfeitamente na morfologia característica de um impacto complexo.
A prova definitiva da origem meteórica está nos minerais com camadas planas de deformação (PDF) extraídos do poço próximos ao cráter. Esses minerais, encontrados em grãos de quartzo e feldspato potássico, possuem uma estrutura que só pode ser criada sob pressões extremas de impacto.
O achado coloca o Silverpit na mesma categoria de cráteres famosos como o Chicxulub no México ou o cráter Nadir, na costa da África Ocidental. Com apenas cerca de 200 cráteres confirmados em terra e apenas 33 identificados sob o oceano, este estudo é um importante passo para entender melhor a formação dessas estruturas geológicas.
A equipe também constatou que parte do leito marinho foi vaporizada durante o impacto, liberando enormes quantidades de CO₂ e causando uma espécie de ebulição violenta no solo. Entre 0,9 e 2,2 km³ de rocha simplesmente desapareceram na forma de gás.
O estudo destaca a importância da simulação do impacto para entender melhor as condições que levaram à formação do cráter Silverpit. Com essas informações, os pesquisadores podem agora comparar o caso com outros cráteres e avançar no entendimento das consequências de um impacto desse tipo em uma região marinha.
A análise dos dados sísmicos também revelou que o centro do cráter apresenta uma textura porosa e achatada, resultado da liberação violenta de CO₂. O estudo concluiu que o Silverpit é um exemplo importante para estudar os processos geológicos envolvidos em impactos desse tipo.
A equipe também destaca que apenas cerca de 200 cráteres confirmados existem na terra e apenas 33 identificados sob o oceano, destacando a importância do estudo da origem meteórica para entender melhor essas estruturas geológicas.