Estudo revela diversidade de microrganismos maior do que a prevista na Grande Barreira de Corais
Pesquisadores do AIMS e da Universidade de Queensland identificaram centenas de bactérias e milhares de vírus inéditos na Grande Barreira de Corais. O estudo, publicado na Nature, processou amostras de 48 recifes para gerar mais de 800 mil genomas microbianos. Os dados foram integrados ao Banco de Dados de Genomas Microbianos da região
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Um estudo publicado na revista Nature revelou que a Grande Barreira de Corais, na Austrália, abriga uma diversidade de microrganismos significativamente maior do que a ciência previa. A pesquisa reconstruiu o microbioma do ecossistema, identificando centenas de bactérias e milhares de vírus anteriormente desconhecidos.
A análise foi conduzida por pesquisadores do Instituto Australiano de Ciências Marinhas (AIMS) e da Universidade de Queensland. Para isso, a equipe processou amostras de água de 48 recifes, resultando na geração de mais de 800 mil genomas microbianos.
Descobertas bacterianas e virais
O levantamento catalogou 5.283 genomas de arqueias e bactérias, distribuídos em 876 espécies. Desse total, mais de 500 espécies bacterianas são inéditas para a ciência, e quase dois terços do grupo não constavam em bancos de dados públicos.
No campo da virologia, foram identificados 362.802 tipos de vírus. Entre eles, destacam-se os Crassvirales, que infectam bactérias. Anteriormente, esses vírus eram associados ao intestino humano e vistos como indicadores de resíduos animais, mas a descoberta comprova que sua distribuição ocorre também em águas oceânicas abertas.
Tecnologia de sequenciamento
A precisão dos dados foi viabilizada por novas tecnologias de sequenciamento de leitura longa. Esse método resolve a dificuldade de separar e reconstruir genomas de microrganismos muito semelhantes, que frequentemente habitam a mesma gota de água.
A técnica reduz a fragmentação das sequências, permitindo a recuperação de estruturas completas. Foi esse o caminho para a montagem dos cromossomos de Bathycoccus e Ostreococcus, microalgas com alta abundância na região.
Impacto ecológico e monitoramento
A relevância desses microrganismos reside no suporte às cadeias alimentares oceânicas. As microalgas, por exemplo, produzem a maior parte do oxigênio terrestre e servem de alimento para o zooplâncton e o kril, que, por sua vez, sustentam desde pólipos de coral até baleias.
Para viabilizar estudos futuros, as informações foram integradas ao Banco de Dados de Genomas Microbianos da Grande Barreira de Corais. O recurso permitirá que a comunidade científica monitore a reação de vírus, bactérias, arqueias e microalgas diante de pressões ambientais, como:
- Branqueamento dos corais;
- Sedimentos e tempestades;
- Atividades de pesca.