Estudo revela fósseis de filhotes de Tyrannosaurus rex e indica que a espécie botava muitos ovos
Análise de fósseis publicada na revista Biology identificou filhotes de Tyrannosaurus rex com cerca de 75 cm e 2,5 kg. Os dados sugerem que a espécie depositava de 20 a 30 ovos por ninhada, indicando uma estratégia reprodutiva similar à de répteis
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A análise de pequenos ossos e dentes preservados em coleções de museus permitiu a reconstrução de uma fase até então desconhecida do ciclo de vida do Tyrannosaurus rex. O estudo, publicado na revista científica Biology, apresenta as primeiras evidências fósseis de filhotes recém-nascidos da espécie, revelando que o desenvolvimento inicial desses predadores difere das representações populares e exige a revisão de hipóteses sobre sua reprodução.
O ponto de partida da descoberta foi o exame de um terceiro metatarsiano — osso central do pé dos terópodes — que apresentava alta porosidade devido a uma rede densa de vasos sanguíneos. Essa característica anatômica indicou aos paleontólogos que a peça não pertencia a uma espécie adulta de pequeno porte, mas a um animal em estágio inicial de crescimento.
Dimensões e características físicas
A comparação anatômica confirmou que o fóssil mantinha as características essenciais dos exemplares adultos de T. rex, embora com proporções mais estreitas. Nick Longrich, biólogo evolutivo e paleontólogo da Universidade de Bath, identificou a peça como o menor exemplar de T. rex já registrado.
As estimativas indicam que o animal principal media cerca de 75 cm de comprimento e pesava 2,5 kg, podendo ter nascido com apenas 1,7 kg. Esses dados reduzem as projeções anteriores, que estimavam que os recém-nascidos tivessem aproximadamente um metro de extensão. Mesmo com a baixa estatura, a análise dos dentes revelou peças robustas e com sinais de desgaste, sugerindo que os filhotes eram capazes de morder materiais duros desde as primeiras etapas de vida.
Eric Snively, paleontólogo da Universidade Estadual de Oklahoma, destacou a semelhança entre os fósseis dos filhotes e os dos adultos, especialmente no metatarsiano e na espessura dos dentes. A equipe de pesquisa descartou a possibilidade de os restos pertencerem a embriões ou à espécie Nanotyrannus.
Estratégia reprodutiva e evolução
A partir do novo cálculo do tamanho corporal, os pesquisadores estimaram as dimensões dos ovos do T. rex. Embora não exista um ovo completo identificado, a relação entre o tamanho do filhote e do adulto sugere que os ovos eram relativamente pequenos. Essa proporção indica que uma única ninhada poderia conter entre 20 e 30 ovos, resultando em ninhos com dezenas de filhotes.
Essa abundância de descendentes aponta para uma estratégia reprodutiva similar à de certos répteis, distanciando-se do modelo de aves e mamíferos modernos. Em espécies que geram muitos filhotes, o investimento de recursos por indivíduo costuma ser menor, pois a sobrevivência do grupo depende de que apenas uma parcela atinja a maturidade. Tal evidência questiona a imagem de pais extremamente protetores, embora não comprove o abandono total dos ninhos.
De acordo com Nick Longrich, os dados demonstram que os tiranossauros representam uma transição entre aves modernas e répteis, como tartarugas e crocodilos. O estudo sugere que o cuidado intensivo com as crias evoluiu gradualmente durante o período Mesozoico, paralelamente à tendência de grupos animais produzirem descendentes em menor número e com maior porte físico.