Estudo revela que a Grande Barreira de Corais possui memória geológica da Era do Gelo
Pesquisa publicada na revista de Geologia Marinha indica que a Grande Barreira de Corais passou por cinco fases de reorganização nos últimos 30 mil anos. O estudo, liderado pela Universidade de Sydney, utilizou sedimentos e fósseis para analisar a influência de oscilações no nível do mar e variações térmicas
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Uma análise de quase duas décadas de pesquisas revelou que a Grande Barreira de Corais possui uma memória geológica da Era do Gelo, evidenciando que o sistema é significativamente mais dinâmico do que se acreditava. O estudo, publicado na revista de Geologia Marinha, demonstra que, nos últimos 30 mil anos, os recifes se reorganizaram sucessivamente em resposta a oscilações no nível do mar, variações térmicas do oceano e alterações na qualidade da água.
A reconstrução da evolução do maior sistema de corais do mundo foi possível graças a dados da Expedição 325 do Programa Internacional de Perfuração Oceânica. Durante a campanha, realizada em 2010 na extremidade externa da barreira, foram extraídos núcleos de sedimentos e fósseis de recifes em profundidades que variam entre 46 e 170 metros. Esses testemunhos, que funcionam como cápsulas do tempo, foram cruzados com mapas do fundo marinho, dados sísmicos, análises geoquímicas e remanescentes de algas e corais.
Liderada pela professora Jody Webster, da Universidade de Sydney, a revisão sintetiza a produção de 40 instituições de 12 países, totalizando mais de 50 artigos científicos. Os resultados identificaram cinco fases distintas de formação, desaparecimento e ressurgimento dos recifes. Observou-se que, em períodos de águas mais baixas, as estruturas avançavam para zonas externas, recuando para o interior conforme a plataforma continental era inundada pelo aquecimento pós-glaciação.
A pesquisa indica que a queda rápida do nível do mar pode ter causado a extinção das duas primeiras fases de recifes, mas a sobrevivência ou o colapso do sistema dependiam de um conjunto de pressões ambientais simultâneas. Além da profundidade da água, fatores como a temperatura da superfície do mar, a chegada de nutrientes e sedimentos, e as condições oceânicas gerais foram decisivos para a continuidade do crescimento dos corais.
Os fósseis permitiram ainda detalhar a dinâmica da última glaciação e a subsequente desgelaciação, registrando que o nível do mar caiu rapidamente em duas etapas até atingir o máximo glacial. Sinais químicos preservados nos corais revelam que a temperatura superficial do oceano era consideravelmente mais fria do que a atual e que a circulação marinha na costa de Queensland sofreu alterações com o aquecimento climático. Embora esses dados históricos não sirvam para prever a resposta direta do recife às mudanças climáticas contemporâneas, eles fornecem a compreensão necessária sobre a natureza dinâmica do sistema.