Estudo revela que a menopausa altera a estrutura cerebral de forma diferente da puberdade e gravidez
Estudo na revista Nature Communications com 1.095 participantes indica que a menopausa altera a estrutura cerebral de modo diferente da puberdade e da gravidez. Enquanto as duas últimas fases reduzem o volume da matéria cinzenta cortical, a transição menopausal não apresentou redução significativa nesse volume
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Um estudo publicado na revista Nature Communications revelou que a menopausa impacta a estrutura cerebral de forma distinta da puberdade e da gravidez. A pesquisa, que comparou essas três transições hormonais femininas em uma única análise, identificou que cada fase promove um padrão específico de reorganização no cérebro.
Para chegar a esses resultados, os pesquisadores utilizaram exames de ressonância magnética de 1.095 participantes. A metodologia permitiu monitorar as mudanças estruturais ao longo do tempo em cada indivíduo, evitando a simples comparação entre mulheres de idades diferentes. O grupo analisado incluiu meninas antes e depois da primeira menstruação, mulheres em sua primeira ou segunda gestação e aquelas que transitaram da pré para a pós-menopausa.
Diferenças na matéria cinzenta
A análise apontou que tanto a puberdade quanto a gravidez estão associadas a uma redução no volume da matéria cinzenta do córtex, a camada mais externa do cérebro. Embora as alterações não tenham sido idênticas, ambas as fases compartilharam mudanças em certas regiões cerebrais, sendo que as reduções foram mais intensas durante a puberdade.
Já a transição para a menopausa apresentou um comportamento divergente. Entre as 120 mulheres que passaram por esse processo durante o acompanhamento, não houve redução estatisticamente significativa no volume cortical ou no volume total de matéria cinzenta.
Impacto do envelhecimento e limitações
O estudo observou que reduções volumétricas ligadas à idade ocorreram em mulheres que permaneceram na pré ou pós-menopausa durante todo o período de observação. Diante disso, os autores sugerem, de forma preliminar, que a transição menopausal possa estar relacionada a uma desaceleração temporária dessa perda cerebral associada ao envelhecimento.
Apesar dos achados, a pesquisa não comprova que os hormônios sejam os responsáveis diretos pelas diferenças observadas, uma vez que não houve medições hormonais comparáveis entre as amostras e a classificação das fases baseou-se em relatos das participantes.
A ausência de redução significativa no volume cortical durante a menopausa não indica que o cérebro permaneça inalterado. Para a pesquisadora Marín Jiménez, a compreensão total do significado dessas mudanças e sua relação com a saúde feminina dependerá de novos estudos que incluam medições hormonais diretas.