Estudo revela que a sensibilidade às cócegas segue padrões universais independentemente da cultura do indivíduo
Estudo da Universidade Radboud com 448 adultos da China, Grécia e Holanda identificou que pescoço, axilas, abdômen e plantas dos pés são as áreas mais sensíveis a cócegas. A pesquisa, publicada na Nature Human Behaviour, indica que esses padrões são universais e independentes de cultura
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A sensibilidade às cócegas apresenta padrões universais que transcendem barreiras culturais, conforme revelou um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Radboud, na Holanda. A investigação, publicada na revista Nature Human Behaviour, demonstrou que as regiões do corpo mais suscetíveis a esse estímulo são consistentes entre indivíduos de diferentes origens, sugerindo que o fenômeno possui mecanismos fisiológicos e neurais próprios.
Mapeamento da sensibilidade corporal
Para a elaboração de um mapa corporal de alta resolução, os cientistas Ziliang Xiong e Konstantina Kilteni analisaram 448 adultos, com idades entre 18 e 30 anos e divisão equitativa entre homens e mulheres. A amostra incluiu participantes da China, Grécia e Holanda.
Os voluntários utilizaram questionários e modelos anatômicos para indicar as áreas de maior sensibilidade e classificar se a sensação estava vinculada ao prazer ou à dor. Os resultados apontaram que o pescoço, as axilas, o abdômen e as plantas dos pés são as zonas onde as cócegas são sentidas com maior intensidade, independentemente da cultura do participante.
A pesquisa observou que a intensidade da sensação é maior em áreas onde o estímulo é menos esperado. Além disso, os dados revelaram que:
- 98,4% dos entrevistados já receberam cócegas;
- 95,8% já as provocaram em terceiros;
- 71% se consideram moderadamente ou muito sensíveis ao estímulo.
Distinção sensorial e social
O estudo evidenciou que a experiência das cócegas é distinta de outras sensações físicas. Os mapas de sensibilidade ao toque, à dor e ao prazer não coincidem com as áreas mapeadas para as cócegas, o que indica que se trata de uma experiência somatossensorial específica, com dinâmicas sociopsicológicas particulares.
Essa uniformidade entre os grupos chineses, holandeses e gregos contrasta com outras formas de contato emocional, como o abraço, que costumam variar conforme a cultura. A reação predominante relatada em todos os grupos foi o riso.
Embora a sensibilidade às cócegas também seja observada em outros animais, como em ratos e grandes primatas, a ciência ainda busca compreender a função exata desse fenômeno, tema de especulação desde a Grécia Antiga, com Sócrates e Aristóteles.
Os pesquisadores ressaltam que, apesar dos padrões identificados, são necessários novos estudos para validar esses achados em outras culturas e investigar como o consentimento e a intenção social influenciam a percepção do estímulo.