Ciência

Estudo revela que controle inibitório amadurece mais lentamente que a memória na adolescência

13 de Setembro de 2026 às 09:06 3 min de leitura

Estudo com mais de 45 mil adolescentes da China e Estados Unidos indica que a memória de trabalho amadurece precocemente, enquanto o controle inibitório se desenvolve até o fim da adolescência. A pesquisa, publicada na Nature Mental Health, associa o desempenho executivo inferior a maiores índices de hiperatividade e conflitos sociais

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Estudo revela que controle inibitório amadurece mais lentamente que a memória na adolescência
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O amadurecimento das funções executivas do cérebro durante a adolescência ocorre de maneira gradual, desmistificando a ideia de que a impulsividade ou o comportamento desafiador surjam repentinamente nessa fase. Um estudo publicado na Nature Mental Health demonstrou que a evolução de habilidades essenciais, como a memória de trabalho e o controle inibitório, acontece em ritmos distintos.

A pesquisa foi conduzida por instituições como a Academia Chinesa de Ciências Médicas, o Collégio Médico de Peking, a Universidade de Tsinghua e o Instituto Chinês de Pesquisa Cerebral. Utilizando dados do projeto A-HELP, os cientistas analisaram 33.622 adolescentes chineses, com idades entre 11 e 18 anos, para estabelecer referências sobre como o cérebro organiza a gestão de emoções, o controle do comportamento e a resposta a interações sociais.

Ritmos distintos de desenvolvimento cognitivo

O estudo identificou que a memória de trabalho — a capacidade de reter e manipular informações temporariamente para realizar cálculos ou seguir instruções — atinge seu pico de desempenho precocemente. Para mensurar essa função, foram aplicados testes 1-back e 2-back, nos quais os jovens deveriam identificar a repetição de estímulos.

Em contrapartida, o controle inibitório, responsável por frear respostas automáticas ou impulsivas, apresenta um desenvolvimento mais prolongado, estendendo-se até as etapas finais da adolescência. Essa habilidade, testada por meio do método Go/No-Go, é a que permite ao jovem ignorar distrações, como notificações de celular, ou evitar reações agressivas. A disparidade entre a estabilização da memória e a evolução contínua do autocontrole explica a instabilidade comportamental comum nessa faixa etária.

Impactos no comportamento e validação global

A análise revelou que adolescentes com desempenho executivo inferior à média para a idade apresentam maior incidência de:

  • Hiperatividade e falta de atenção;
  • Dificuldades de comportamento e conflitos com colegas;
  • Menor engajamento em comportamentos pró-sociais.

Essas correlações são mais intensas no início da adolescência e tendem a diminuir conforme a idade avança. Os pesquisadores ressaltam que a imaturidade das funções executivas não é a causa direta da rebeldia, mas está relacionada a esses desafios sociais e comportamentais.

Para validar a universalidade desses achados, a equipe analisou dados de 11.549 adolescentes dos Estados Unidos, integrantes do estudo Adolescent Brain Cognitive Development. Os resultados americanos confirmaram as tendências observadas na China, sugerindo que esse padrão de desenvolvimento cerebral é consistente. A compreensão dessas etapas permite a identificação de períodos críticos para a saúde mental e a criação de estratégias preventivas direcionadas a cada fase do crescimento.

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