Ciência

Estudo revela que depressões na planície de Nullarbor são reflexos de antigos sistemas de cavernas

28 de Setembro de 2026 às 06:20 3 min de leitura

Estudo publicado no Communications Earth & Environment indica que depressões na planície de Nullarbor, na Austrália, resultam do colapso de antigos sistemas de cavernas subterrâneas. A pesquisa utilizou tomografia de resistividade elétrica e análise de sedimentos para descartar a formação por fluxos de água superficiais. O modelo de análise pode auxiliar na identificação de cavernas em outras regiões áridas ou em Marte

-0:00
Estudo revela que depressões na planície de Nullarbor são reflexos de antigos sistemas de cavernas
Matej Lipar

A planície de Nullarbor, no sul da Austrália, abriga estruturas geológicas profundas que moldam a aparência de sua superfície desértica. Um estudo publicado no periódico Communications Earth & Environment revelou que longas depressões no território, anteriormente confundidas com canais de drenagem ou vales escavados por água, são, na verdade, reflexos de processos ocorridos sob uma plataforma de rocha calcária exposta à erosão há mais de 14 milhões de anos.

A origem das depressões superficiais

A pesquisa, coordenada por Matej Lipar com a colaboração de cientistas da Curtin University, analisou cinco dessas formações utilizando mapeamento, registros de cavernas, análise de sedimentos e técnicas geofísicas. As depressões podem se estender por quilômetros, com larguras entre 100 e 500 metros, mas possuem profundidades reduzidas, raramente ultrapassando nove metros.

Essa baixa variação de altitude torna as estruturas difíceis de identificar em uma região plana de mais de 200.000 quilômetros quadrados. No entanto, modelos digitais de terreno evidenciaram que essas marcas não possuem redes de cursos d'água interconectados, descartando a hipótese de que tenham sido formadas por fluxos superficiais de água.

O colapso de sistemas subterrâneos

As medições indicam que as depressões são a manifestação superficial de antigos sistemas de cavernas. Essas galerias, localizadas entre 50 e 150 metros de profundidade, foram criadas pela dissolução lenta do calcário por águas subterrâneas. Com a redução do nível freático, as cavernas ficaram vazias e seus tetos, sem o suporte da água, sofreram deformações e desmoronamentos graduais.

Para comprovar essa dinâmica, a equipe utilizou a tomografia de resistividade elétrica, que detectou áreas de baixa resistividade abaixo das depressões, mesmo em profundidades superiores a 70 metros. Tais sinais indicam a presença de sedimentos e materiais fraturados resultantes de colapsos antigos. Esse dado foi reforçado por observações sísmicas passivas, que identificaram rochas menos consolidadas sob o eixo das depressões.

Evidências geológicas e aplicações astronômicas

A prova direta desse processo foi encontrada na Clay Dam Cave, situada na depressão de Koonalda, onde uma dolina de colapso expõe cerca de 20 metros de sedimentos e camadas deformadas. Estruturas análogas foram observadas em falésias costeiras da região, apresentando arcos, cavernas e camadas afundadas em áreas com mais de 100 metros de largura.

A descoberta estabelece um método para a localização de cavernas ocultas em outras paisagens áridas. De acordo com Milo Barham, da Curtin University, a secura e a estabilidade de Nullarbor permitem a identificação de indicadores geológicos que seriam invisíveis em outros contextos.

Esse modelo de análise pode ser aplicado na interpretação de estruturas em outros planetas, como Marte, auxiliando na identificação de sistemas de cavernas que possam preservar vestígios de ambientes terrestres antigos ou servir como refúgios protegidos para a busca de vida e futuras missões humanas.

Notícias Relacionadas