Ciência

Estudo revela que massas de água quente avançam em direção à Antártida nos últimos 20 anos

29 de Abril de 2026 às 06:33

Estudo da Universidade de Cambridge e da Universidade da Califórnia indica que massas de água quente avançam em direção à Antártida há 20 anos. O fenômeno provoca o derretimento da base de plataformas de gelo, acelerando o fluxo de geleiras continentais para o mar

Um estudo publicado na revista *Communications Earth & Environment* revelou que massas de água quente nas profundezas do oceano estão avançando em direção à Antártida. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Cambridge em colaboração com a Universidade da Califórnia, utilizou medições oceanográficas de longo prazo, coletadas por navios e dispositivos robóticos flutuantes, para confirmar que esse movimento de expansão térmica ocorre gradualmente nos últimos 20 anos.

Essas evidências validam projeções de modelos climáticos que, até então, careciam de observações diretas. O fenômeno é impulsionado pelo aquecimento global, já que os oceanos absorvem mais de 90% do excesso de calor gerado por atividades humanas, com o Oceano Austral concentrando grande parte desse armazenamento. Essa redistribuição térmica altera a circulação oceânica e permite que águas aquecidas alcancem regiões que anteriormente eram protegidas por uma camada de água fria.

O impacto direto ocorre nas plataformas de gelo, que funcionam como barreiras naturais para as geleiras continentais. Joshua Lanham, do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge, explica que a água quente flui por baixo dessas estruturas, provocando o derretimento da base e comprometendo a estabilidade do gelo. Sarah Purkey, do Instituto de Oceanografia Scripps, descreve a situação como a abertura de uma "torneira de água quente" no oceano, tornando as plataformas mais frágeis e suscetíveis a colapsos.

A fragilização dessas barreiras representa um risco significativo para o nível do mar, pois as geleiras do interior da Antártida armazenam água doce suficiente para elevar o nível oceânico em cerca de 58 metros. Sem a contenção das plataformas, o fluxo de gelo em direção ao mar é acelerado.

Além do derretimento, o processo afeta a regulação global de carbono e calor, função desempenhada pelo Oceano Austral. De acordo com o professor Ali Mashayek, da Universidade de Cambridge, as alterações nessa região influenciam o sistema climático de forma ampla, podendo impactar padrões meteorológicos em diversas partes do planeta e transformando o fenômeno em um desafio de escala global.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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