Estudo revela que o interior de Marte apresenta disparidade térmica entre os hemisférios norte e sul
Estudo publicado na Nature indica que o manto do hemisfério sul de Marte é entre 200 e 400 graus Celsius mais quente que o do norte. A pesquisa utilizou tomografia de maré com dados de sondas da NASA para mapear a estrutura interna do planeta. A análise revelou que a disparidade geológica entre os hemisférios se estende por centenas de quilômetros abaixo da crosta
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A análise do campo gravitacional de Marte revelou que a disparidade entre os hemisférios norte e sul do planeta não é apenas superficial, mas se estende por centenas de quilômetros abaixo da crosta. Um estudo publicado na revista Nature demonstra que a estrutura interna do planeta vermelho apresenta variações térmicas e geológicas profundas, desafiando a premissa de que o interior de um planeta possua uma distribuição uniforme e esférica.
Assimetria térmica no manto
Os dados indicam que o manto localizado sob o hemisfério sul é entre 200 e 400 graus Celsius mais quente do que a região norte. Essa diferença de temperatura é expressiva o suficiente para manter algumas áreas profundas em estado de fusão parcial.
Essa anomalia interna reflete a divisão geológica já observada na superfície:
- Hemisfério Norte: Caracterizado por planícies baixas e extensas.
- Hemisfério Sul: Composto por terrenos elevados, montanhas, crateras e uma crosta que é, em média, 25 quilômetros mais espessa que a do norte.
Metodologia e coleta de dados
Para mapear a estrutura interna, a equipe de pesquisadores, liderada por Alexander Berne, da Universidade de Arizona e Caltech, utilizou a técnica de tomografia de maré. O método consistiu em analisar a influência gravitacional variável do Sol e pequenas oscilações na velocidade orbital de sondas da NASA, especificamente as missões Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter.
Evidências complementares e magnetismo
O achado correlaciona-se com dados da missão InSight, encerrada em dezembro de 2022, que observou a atenuação mais rápida de ondas sísmicas no sul, fenômeno típico de materiais expostos a altas temperaturas. Além disso, a região sul apresenta anomalias magnéticas em minerais ricos em ferro, as quais podem ter sido preservadas devido à influência do calor do manto sobre a temperatura da crosta.
Hipóteses sobre a origem da diferença
A causa dessa disparidade térmica ainda é debatida, com três linhas principais de investigação:
- Impacto ancestral: Um choque colossal ocorrido há mais de 4 bilhões de anos teria criado as planícies do norte, acelerando a perda de calor naquela região.
- Isolamento térmico: A crosta mais grossa do sul teria funcionado como um isolante, retendo o calor no manto.
- Convecção: Processos antigos de movimentação de massa interna teriam distribuído a energia de forma desigual.
De acordo com Amirhossein Bagheri, pesquisador da Caltech e coautor do trabalho, a compreensão dessa separação é fundamental para reconstruir a história geológica e a hidrologia de Marte, incluindo a formação de bacias que poderiam ter abrigado água. A técnica de tomografia de maré poderá ser aplicada futuramente para investigar a composição de Mercúrio e das luas de Júpiter.