Estudo revela que pessoas com afantasia visual apresentam experiências oníricas variadas e distintas
Estudo de Derek Arnold e Loren N. Bouyer com 205 participantes indica que a afantasia visual não gera um padrão único de sonhos, variando entre imagens vívidas e ausência de componentes visuais ou auditivos. A pesquisa aponta que a capacidade de gerar sensações oníricas pode depender de processos neurais distintos ou da habilidade geral de criar sensações imaginadas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/R/M/461oZoQxC4yFLqSX2imw/file-20260630-91-zl9zjf.avif)
Um estudo recente investigou a relação entre a afantasia visual — a incapacidade de visualizar imagens voluntariamente enquanto se está acordado — e a natureza dos sonhos, revelando que a experiência onírica varia drasticamente entre indivíduos com essa condição.
A pesquisa analisou 84 pessoas com afantasia visual e um grupo de controle composto por 121 pessoas sem a condição. O objetivo foi verificar se a ausência de imagens mentais durante a vigília se reflete também durante o sono.
Divergências nas experiências oníricas
Os resultados demonstram que não existe um padrão único para quem possui afantasia. Enquanto alguns participantes relataram ter sonhos visuais vívidos, outros descreveram sonhos sem qualquer componente visual ou auditivo.
Nesses últimos casos, a experiência do sonho é descrita como uma consciência lúcida que se desenvolve em torno de um enredo controlável, acompanhada por sensações de movimento e textura. O estudo observou que as pessoas com afantasia tendem a apresentar experiências imaginadas semelhantes tanto nos sonhos quanto no estado acordado, embora existam casos em que não há correspondência entre os dois estados.
A capacidade de geração de sensações
A análise sugere duas possibilidades neurológicas distintas para a afantasia:
* Alguns cérebros seriam capazes de gerar todo o espectro de sensações oníricas, mas falhariam em um processo neural necessário para a percepção dessas imagens enquanto a pessoa está acordada.
* Outros cérebros simplesmente não teriam a capacidade de criar certos tipos de sensações imaginadas, independentemente de estarem dormindo ou acordados.
Padrões em pessoas sem afantasia
A investigação também incluiu indivíduos sem a condição, notando que a diversidade de sensações nos sonhos é comum a todos. Dados do estudo indicam que 37% das pessoas sem afantasia nunca sentem cheiros em seus sonhos, enquanto 33% relataram a ausência de sensações táteis.
Foi identificada uma correlação direta entre a vida cotidiana e o conteúdo dos sonhos: indivíduos que conseguem imaginar o cheiro de alimentos ao pensar no jantar, por exemplo, têm maior probabilidade de experimentar sensações olfativas durante o sono.
Implicações científicas e práticas
A compreensão de como o cérebro cria essas experiências conscientes é fundamental para desvendar mistérios da neurociência e a conectividade cerebral. Além disso, a descoberta traz questionamentos para áreas aplicadas:
- Psicologia: A eficácia de tratamentos baseados em visualização para pacientes com afantasia permanece incerta.
- Educação: O impacto de métodos de ensino que incentivam a visualização em crianças que não possuem essa habilidade precisa ser avaliado.
O estudo foi conduzido por Derek Arnold, financiado pelo Australian Research Council, e Loren N. Bouyer.