Estudo revela que programa nuclear nazista estava longe de criar reator operacional
Estudo publicado no PNAS Nexus indica que o experimento B8 da Alemanha nazista não atingiria a criticidade por falta massiva de urânio e água pesada. A análise refuta a tese de Werner Heisenberg e conclui que o regime não superou obstáculos básicos para construir um reator operacional
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Um estudo publicado no PNAS Nexus reavaliou o experimento B8, a última tentativa de grande escala do programa nuclear da Alemanha nazista, para determinar se o regime estava próximo de alcançar uma reação nuclear auto-sustentável. Utilizando técnicas de "arqueologia nuclear", os pesquisadores combinaram simulações computacionais, análise forense de materiais e documentos históricos para testar a viabilidade técnica do projeto liderado por Werner Heisenberg em 1945.
A falha técnica do experimento B8
A análise refuta a afirmação feita por Heisenberg em 1947, na qual o físico sugeria que o experimento teria funcionado caso houvesse uma pequena quantidade adicional de urânio. As simulações atuais demonstram que a carência de insumos era, na verdade, massiva: para atingir a criticidade, o B8 teria demandado entre 1,9 e 2,7 vezes mais urânio e entre 2,1 e 2,4 vezes mais água pesada.
A obtenção desses materiais era inviável nas condições da época. O estudo aponta que a quantidade de água pesada necessária para o reator seria aproximadamente o dobro de tudo o que a usina Norsk Hydro, na Noruega ocupada, produziu durante todo o conflito. Além disso, o uso de grafite como alternativa foi descartado devido às impurezas presentes nas reservas alemãs, que impediam a manutenção de uma reação em cadeia.
Metodologia e comparações
Para reconstruir as condições do B8, a equipe de pesquisa estimou parâmetros químicos e físicos dos materiais utilizados, suprindo lacunas nas fontes primárias com técnicas de análise de instalações nucleares do pós-guerra. Foram desenvolvidos três modelos de simulação, cujos resultados foram comparados a projetos contemporâneos, como o Chicago Pile 3 do Projeto Manhattan.
Impacto no desenvolvimento de armas nucleares
Os dados indicam que o programa nuclear nazista, conhecido como Uranprojekt, não conseguiu superar o obstáculo básico de construir um reator operacional. Essa incapacidade técnica, somada à redução de prioridades do regime devido aos reveses militares, afasta a possibilidade de que a Alemanha estivesse perto de desenvolver uma arma nuclear.
Os autores da pesquisa ressaltam que, embora a comparação simples entre a produção de materiais e a demanda possa sugerir cenários alternativos, a implementação prática disso exigiria uma coordenação e previsão impossíveis em contexto de guerra. Assim, a revisão técnica conclui que os cientistas alemães ainda não haviam resolvido problemas fundamentais de engenharia nuclear antes do colapso do regime.