Estudo revela que seres humanos tendem a caminhar no sentido anti-horário em espaços abertos
Pesquisadores da Universidade de Navarra identificaram que seres humanos tendem a caminhar no sentido anti-horário em espaços abertos ou fechados. O estudo descartou influências ambientais, culturais ou de lateralidade, concluindo que a inclinação é um padrão individual. O fenômeno também foi observado em peixes e formigas-correição
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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Navarra revelou que seres humanos possuem uma tendência intrínseca de se movimentar no sentido anti-horário ao caminharem em espaços fechados ou abertos sem um destino específico. A descoberta ocorreu após cinco anos de investigações, iniciadas em 2020, quando a equipe observou que participantes de um experimento sobre distanciamento social durante a pandemia da Covid-19 giravam involuntariamente para a esquerda.
Descarte de hipóteses ambientais e sociais
Inicialmente, os físicos acreditaram que o fenômeno fosse um comportamento emergente, resultado de interações entre as pessoas ou com o ambiente. A primeira hipótese focou na lateralidade, sugerindo que pessoas destras tenderiam a virar para a esquerda. No entanto, testes com canhotos e indivíduos que preferiam virar à direita não alteraram a rotação da multidão, que permaneceu no sentido anti-horário.
A influência de barreiras físicas também foi testada. Ao transferir o experimento para um pátio aberto de 3.000 metros quadrados, sem paredes, a tendência de rotação não apenas persistiu, mas se intensificou.
Posteriormente, a equipe investigou se o movimento seria reflexo de hábitos culturais, como a direção de condução de veículos. Para validar isso, foram realizados testes em Tóquio, onde o fluxo de trânsito ocorre pelo lado esquerdo. Contrariando a expectativa de que a multidão japonesa giraria no sentido horário, os voluntários também se moveram para a esquerda. A hipótese de aprendizado social foi definitivamente descartada ao observar crianças em idade pré-escolar, que apresentaram a tendência anti-horária mais forte de todo o estudo.
Origem biomecânica e individual
A análise final demonstrou que o padrão não é coletivo, mas individual. Ao testar mais de 200 voluntários caminhando sozinhos em uma arena vazia, a maioria manteve o deslocamento para a esquerda, mesmo sem a presença de outras pessoas ou obstáculos. Os dados confirmaram que o movimento da multidão é a soma exata de inclinações individuais, e não um resultado de interações sociais.
Embora a causa exata desse viés ainda seja desconhecida, os pesquisadores descartaram relações com o sexo, pé dominante, olho dominante ou mão dominante. Uma possibilidade investigada envolve assimetrias no ouvido interno, que poderiam afetar a percepção de linhas retas, baseando-se em estudos com pessoas vendadas que também tendem a caminhar em espiral.
Aplicações e paralelos biológicos
A compreensão de que essa inclinação é individual permite aprimorar a modelagem e o projeto de fluxos em locais de grande circulação, como museus, aeroportos e estações de trem.
O fenômeno não é exclusivo dos humanos; padrões semelhantes de inclinação para a esquerda foram observados em colônias de formigas-correição e em cardumes de peixes, sugerindo que essa característica biológica pode ser anterior à própria espécie humana.