Ciência

Estudo revela que torres de cigarra na Amazônia servem como abrigo e sistema de ventilação

13 de Maio de 2026 às 06:19

Estudo publicado na revista Biotropica indica que torres de barro e fezes construídas por ninfas de cigarras na Amazônia servem como ventilação e proteção contra predadores. A pesquisa registrou uma estrutura de 47 centímetros e comprovou que as chaminés reduzem a presença de formigas e auxiliam na respiração em solos encharcados

Estudo revela que torres de cigarra na Amazônia servem como abrigo e sistema de ventilação
Serrapilheira Institute/Izadora Gonzalez/Marina Méga

Pesquisadores desvendaram a função das torres de barro e fezes que emergem do solo na Amazônia, estruturas conhecidas como torres de cigarra. Um estudo publicado na revista científica Biotropica revelou que esses cilindros servem como abrigo e sistema de ventilação para as ninfas do inseto durante sua fase de desenvolvimento.

A investigação, que contou com a participação da bióloga marinha Marina Méga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, buscou entender por que as ninfas investem energia na construção de chaminés delicadas antes de atingirem a fase adulta. Uma das conclusões é que as torres funcionam como mecanismo de defesa contra predadores. A análise de campo demonstrou que a presença de formigas nas estruturas é oito vezes menor do que no solo circundante, facilitando a metamorfose do inseto em um ambiente menos vulnerável.

Outro ponto central do estudo foi a análise da troca gasosa. Como o solo amazônico pode ficar encharcado, dificultando a respiração das ninfas, a equipe testou se as torres auxiliariam na ventilação. Para isso, os cientistas utilizaram 40 preservativos para bloquear o fluxo de ar de forma leve e flexível, sem danificar as construções. Ao comparar torres cobertas, saturadas com água e um grupo de controle, observou-se que as ninfas alteravam a reconstrução de suas torres quando o oxigênio era restrito ou havia acúmulo de dióxido de carbono.

Durante o trabalho, a equipe documentou a maior torre de cigarra já registrada, com 47 centímetros de altura. A manutenção dessas estruturas exige esforço contínuo, já que as ninfas realizam reparos constantes para preservar a integridade da engenharia, que é inerentemente frágil.

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