Estudo revela rede de rios invisíveis que transportam umidade pela atmosfera da América do Sul
Estudo publicado na Nature Communications mapeou redes de rios invisíveis que transportam umidade na atmosfera da América do Sul. A pesquisa classificou as rotas em quatro categorias e indicou que o desmatamento no rio Ucayali pode reduzir a precipitação anual entre 5% e 13%
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Um novo mapeamento detalhado revelou a existência de uma vasta rede de rios invisíveis que transportam umidade pela atmosfera da América do Sul. O estudo, publicado na revista Nature Communications, utilizou modelagem matemática e observações climáticas para traçar o percurso da água desde a sua origem até as zonas de precipitação, evidenciando a importância dessas correntes para o abastecimento hídrico do continente.
Diferente dos rios atmosféricos convencionais, que são fenômenos episódicos e breves, essas estruturas são classificadas como rotas persistentes. Elas mantêm-se ativas por períodos climáticos prolongados, transportando vapor proveniente dos oceanos, da evaporação do solo e da transpiração da vegetação por longas distâncias terrestres.
Classificação das rotas de umidade
A pesquisa estabeleceu um mapa hidrológico do céu, dividindo as regiões atravessadas por essas correntes em quatro categorias distintas:
- G1 (Fontes): Pontos de entrada no continente, onde a umidade enriquecida pelos oceanos inicia seu trajeto.
- G2 (Drenagem): Áreas onde ocorre a perda de parte do vapor de água durante o deslocamento para o interior.
- G3 (Desaceleração): Zonas onde há uma redução significativa na velocidade e no volume de umidade transportada.
- G4 (Planícies atmosféricas): Regiões distantes das fontes principais, que recebem menor quantidade de vapor e podem coincidir com cidades que enfrentam escassez hídrica.
O estudo permitiu identificar as áreas que mais contribuem com a umidade, os pontos de declínio rápido desse aporte, a extensão das correntes e o volume de água liberado como chuva.
Impacto ambiental e governança
A análise demonstrou a influência direta da vegetação no ciclo da água em escala continental. A preservação de florestas e o reflorestamento em áreas alimentadoras são fundamentais para a manutenção da umidade. Como exemplo, dados indicam que o desmatamento na região do rio Ucayali, no Peru, pode provocar uma redução entre 5% e 13% na precipitação anual, além de diminuir o escoamento anual desses rios aéreos em 19% a 50%.
A gestão desses recursos enfrenta desafios complexos, pois a direção do transporte de umidade pode ser alterada rapidamente pelo vento, invertendo o fluxo que abastece cidades costeiras em apenas 24 horas.
Devido ao fato de as bacias que alimentam essas correntes ultrapassarem limites topográficos e fronteiras administrativas, os pesquisadores defendem que a proteção desses sistemas exige cooperação institucional e governança regional coordenada.