Ciência

Estudo revela rede de rios invisíveis que transportam umidade pela atmosfera da América do Sul

16 de Agosto de 2026 às 12:06

Estudo publicado na Nature Communications mapeou redes de rios invisíveis que transportam umidade na atmosfera da América do Sul. A pesquisa classificou as rotas em quatro categorias e indicou que o desmatamento no rio Ucayali pode reduzir a precipitação anual entre 5% e 13%

-0:00
Estudo revela rede de rios invisíveis que transportam umidade pela atmosfera da América do Sul
Stocktrek

Um novo mapeamento detalhado revelou a existência de uma vasta rede de rios invisíveis que transportam umidade pela atmosfera da América do Sul. O estudo, publicado na revista Nature Communications, utilizou modelagem matemática e observações climáticas para traçar o percurso da água desde a sua origem até as zonas de precipitação, evidenciando a importância dessas correntes para o abastecimento hídrico do continente.

Diferente dos rios atmosféricos convencionais, que são fenômenos episódicos e breves, essas estruturas são classificadas como rotas persistentes. Elas mantêm-se ativas por períodos climáticos prolongados, transportando vapor proveniente dos oceanos, da evaporação do solo e da transpiração da vegetação por longas distâncias terrestres.

Classificação das rotas de umidade

A pesquisa estabeleceu um mapa hidrológico do céu, dividindo as regiões atravessadas por essas correntes em quatro categorias distintas:

  • G1 (Fontes): Pontos de entrada no continente, onde a umidade enriquecida pelos oceanos inicia seu trajeto.
  • G2 (Drenagem): Áreas onde ocorre a perda de parte do vapor de água durante o deslocamento para o interior.
  • G3 (Desaceleração): Zonas onde há uma redução significativa na velocidade e no volume de umidade transportada.
  • G4 (Planícies atmosféricas): Regiões distantes das fontes principais, que recebem menor quantidade de vapor e podem coincidir com cidades que enfrentam escassez hídrica.

O estudo permitiu identificar as áreas que mais contribuem com a umidade, os pontos de declínio rápido desse aporte, a extensão das correntes e o volume de água liberado como chuva.

Impacto ambiental e governança

A análise demonstrou a influência direta da vegetação no ciclo da água em escala continental. A preservação de florestas e o reflorestamento em áreas alimentadoras são fundamentais para a manutenção da umidade. Como exemplo, dados indicam que o desmatamento na região do rio Ucayali, no Peru, pode provocar uma redução entre 5% e 13% na precipitação anual, além de diminuir o escoamento anual desses rios aéreos em 19% a 50%.

A gestão desses recursos enfrenta desafios complexos, pois a direção do transporte de umidade pode ser alterada rapidamente pelo vento, invertendo o fluxo que abastece cidades costeiras em apenas 24 horas.

Devido ao fato de as bacias que alimentam essas correntes ultrapassarem limites topográficos e fronteiras administrativas, os pesquisadores defendem que a proteção desses sistemas exige cooperação institucional e governança regional coordenada.

Notícias Relacionadas