Ciência

Estudo sugere que a busca por civilizações extraterrestres pode ser expandida para novas frequências de rádio

26 de Julho de 2026 às 21:07

Estudo no Reino Unido reanalisou dados do observatório Alma, no Chile, buscando sinais de civilizações extraterrestres em frequências de rádio mais altas. Nenhuma transmissão foi detectada, mas a pesquisa estimou que as observações alcançaram mais de 6,1 milhões de estrelas na Via Láctea

Estudo sugere que a busca por civilizações extraterrestres pode ser expandida para novas frequências de rádio
ALMA/Alex Pérez

Um novo estudo apresentado no Reino Unido indica que a busca por civilizações extraterrestres pode ser expandida para faixas do espectro de rádio que foram negligenciadas nas últimas décadas. A pesquisa utilizou o Alma, um conjunto de antenas localizado no deserto do Atacama, no Chile, para realizar a primeira varredura de sinais de inteligência alienígena com esse equipamento.

Diferente de outras abordagens, a equipe não realizou novas observações do céu, mas reanalisou dados antigos que haviam sido coletados originalmente para outras finalidades astronômicas.

Frequências e espectro de rádio

Tradicionalmente, a procura por transmissões espaciais foca em uma faixa de frequência considerada silenciosa, situada entre as emissões naturais da hidroxila e do hidrogênio — elementos que compõem a água. A lógica científica por trás dessa escolha é que civilizações avançadas utilizariam esse canal específico para a comunicação.

O novo trabalho, contudo, deslocou o foco para frequências mais altas. Os pesquisadores buscaram por transmissões concentradas em faixas extremamente estreitas, características que sugeririam uma origem tecnológica e que seriam difíceis de serem replicadas por processos naturais.

Apesar da metodologia, nenhuma transmissão candidata foi identificada nas quatro observações analisadas. O resultado não descarta a existência de vida inteligente fora da Terra, mas limita a conclusão ao fato de que nenhum sinal foi detectado nas regiões e faixas específicas examinadas.

Abrangência da Via Láctea

A pesquisa trouxe ainda uma descoberta sobre a escala das observações astronômicas. Ao aplicar um modelo da Via Láctea a levantamentos anteriores, constatou-se que o número de estrelas alcançadas pelas antenas é significativamente maior do que se supunha: a estimativa saltou de 288 mil para mais de 6,1 milhões de estrelas.

Esse aumento ocorre porque o telescópio, ao focar em um alvo, registra simultaneamente outras estrelas na mesma área do céu. Muitas dessas estrelas são pouco brilhantes, distantes ou ausentes nos catálogos atuais, o que as exclui de contagens tradicionais.

A utilização do modelo galáctico permitiu estimar essa população invisível, sugerindo que buscas anteriores podem ter vasculhado uma área da galáxia muito maior do que o previsto. Para os autores do estudo, isso reforça que a reanálise de dados armazenados e o uso de observatórios capazes de captar frequências altas são caminhos viáveis para ampliar a detecção de possíveis sinais artificiais.

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