Estudo sugere que a busca por civilizações extraterrestres pode ser expandida para novas frequências de rádio
Estudo no Reino Unido reanalisou dados do observatório Alma, no Chile, buscando sinais de civilizações extraterrestres em frequências de rádio mais altas. Nenhuma transmissão foi detectada, mas a pesquisa estimou que as observações alcançaram mais de 6,1 milhões de estrelas na Via Láctea
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Um novo estudo apresentado no Reino Unido indica que a busca por civilizações extraterrestres pode ser expandida para faixas do espectro de rádio que foram negligenciadas nas últimas décadas. A pesquisa utilizou o Alma, um conjunto de antenas localizado no deserto do Atacama, no Chile, para realizar a primeira varredura de sinais de inteligência alienígena com esse equipamento.
Diferente de outras abordagens, a equipe não realizou novas observações do céu, mas reanalisou dados antigos que haviam sido coletados originalmente para outras finalidades astronômicas.
Frequências e espectro de rádio
Tradicionalmente, a procura por transmissões espaciais foca em uma faixa de frequência considerada silenciosa, situada entre as emissões naturais da hidroxila e do hidrogênio — elementos que compõem a água. A lógica científica por trás dessa escolha é que civilizações avançadas utilizariam esse canal específico para a comunicação.
O novo trabalho, contudo, deslocou o foco para frequências mais altas. Os pesquisadores buscaram por transmissões concentradas em faixas extremamente estreitas, características que sugeririam uma origem tecnológica e que seriam difíceis de serem replicadas por processos naturais.
Apesar da metodologia, nenhuma transmissão candidata foi identificada nas quatro observações analisadas. O resultado não descarta a existência de vida inteligente fora da Terra, mas limita a conclusão ao fato de que nenhum sinal foi detectado nas regiões e faixas específicas examinadas.
Abrangência da Via Láctea
A pesquisa trouxe ainda uma descoberta sobre a escala das observações astronômicas. Ao aplicar um modelo da Via Láctea a levantamentos anteriores, constatou-se que o número de estrelas alcançadas pelas antenas é significativamente maior do que se supunha: a estimativa saltou de 288 mil para mais de 6,1 milhões de estrelas.
Esse aumento ocorre porque o telescópio, ao focar em um alvo, registra simultaneamente outras estrelas na mesma área do céu. Muitas dessas estrelas são pouco brilhantes, distantes ou ausentes nos catálogos atuais, o que as exclui de contagens tradicionais.
A utilização do modelo galáctico permitiu estimar essa população invisível, sugerindo que buscas anteriores podem ter vasculhado uma área da galáxia muito maior do que o previsto. Para os autores do estudo, isso reforça que a reanálise de dados armazenados e o uso de observatórios capazes de captar frequências altas são caminhos viáveis para ampliar a detecção de possíveis sinais artificiais.