Estudo sugere que ancestrais dos crocodilos possuíam metabolismo mais ativo do que se acreditava
Estudo da revista Paleobiology indica que ancestrais de crocodilos e aves possuíam metabolismo ativo. A redução metabólica dos crocodilos ocorreu há cerca de 66 milhões de anos para viabilizar a caça por emboscada. A análise baseou-se em dados de 81 espécies e na anatomia de canais ósseos
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Um estudo publicado na revista Paleobiology propõe uma nova perspectiva sobre a divergência evolutiva entre crocodilos e aves, revelando que os ancestrais dos répteis atuais podem ter possuído um metabolismo muito mais ativo do que se acreditava anteriormente. A pesquisa, divulgada por Roger S. Seymour, professor emérito de fisiologia da Universidade de Adelaide, sugere que a fisiologia dos crocodilos modernos, incompatível com o voo, foi resultado de uma adaptação tardia e não de uma característica inerente ao seu grupo ancestral.
Ambos os animais descendem de um grupo de arcosauros que iniciou sua diversificação há aproximadamente 250 milhões de anos. Enquanto a linhagem que deu origem aos dinossauros e, posteriormente, às aves, desenvolveu a endotermia — capacidade de manter a temperatura corporal estável e gerar energia para atividades intensas como o voo —, os crocodilos contemporâneos tornaram-se dependentes da temperatura externa.
A análise do fluxo sanguíneo e a anatomia
Para contestar a ideia de que o ancestral comum desses grupos possuía obrigatoriamente um metabolismo lento, os pesquisadores analisaram dados de 81 espécies coletados desde 2018. O estudo focou em características anatômicas de fósseis e animais vivos, especificamente no tamanho dos canais ósseos das extremidades onde circulam os vasos sanguíneos, o que permitiu estimar a intensidade do fluxo sanguíneo e a atividade metabólica.
As evidências indicam que os primeiros representantes tanto da linhagem dos crocodilos quanto daquela que originou as aves poderiam apresentar taxas metabólicas elevadas. Um indicativo adicional é a presença de um coração de quatro câmaras nos crocodilos modernos, estrutura comum a mamíferos e aves, ideal para bombear grandes volumes de sangue sob alta pressão, sugerindo que essa característica seja uma herança de ancestrais significativamente mais ativos.
A transição para a caça de emboscada
A redução do metabolismo nos crocodilos teria ocorrido de forma progressiva e relativamente tardia, por volta de 66 milhões de anos atrás. Essa mudança fisiológica foi impulsionada por uma estratégia de sobrevivência baseada na caça por emboscada, na qual o animal permanece imóvel na água para atacar presas de surpresa.
Essa adaptação trouxe vantagens competitivas, como a capacidade de respirar por períodos mais longos ao economizar energia, o que pode ter sido decisivo para a sobrevivência do grupo após a extinção em massa que eliminou a maioria dos dinossauros. No entanto, esse processo afastou os crocodilos das exigências de potência muscular e produção contínua de energia necessárias para o voo sustentado, consolidando a diferença metabólica observada atualmente entre as duas linhagens.