Estudo sugere que mamíferos impediram o surgimento de dinossauros de pequeno porte
Estudo publicado na revista Evolution indica que a ausência de dinossauros pequenos ocorreu devido à competição ecológica com mamíferos por nichos ambientais. Pesquisadores descartaram causas biológicas internas ou a falta de fossilização para justificar o limite mínimo de 450 gramas desses animais. A redução de tamanho só aconteceu com a evolução do voo nas aves
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Um estudo publicado na revista científica Evolution investiga a ausência de dinossauros pequenos, questionando por que esses animais nunca atingiram dimensões reduzidas, ao contrário do que ocorreu com outras linhagens. Enquanto espécies colossais, como o Apatosaurus, ultrapassavam 80 toneladas, os menores exemplares conhecidos — excluindo as aves — pesavam cerca de 450 gramas, tamanho comparável ao de um coelho grande.
Essa marca representa um limite biológico significativo quando contrastada com a fauna atual. Atualmente, 90% das aves e 75% dos mamíferos possuem peso inferior a esse patamar, com os menores representantes desses grupos pesando aproximadamente 1,75 grama e 1,8 grama, respectivamente.
Modelagem matemática e evidências fósseis
Para compreender esse fenômeno, pesquisadores da Universidade de Princeton e do Museu Americano de História Natural utilizaram modelos matemáticos para simular a influência de fatores biológicos, como reprodução e gasto energético, no tamanho dos animais. Embora os cálculos tenham explicado a distribuição de tamanho em tartarugas, aves e mamíferos, os dados não se aplicaram aos dinossauros, indicando que a biologia interna desses animais não justifica a inexistência de espécies minúsculas.
A hipótese de que dinossauros pequenos teriam existido, mas não foram fossilizados devido à fragilidade de seus ossos, é considerada improvável pelos autores. O argumento baseia-se no fato de que as mesmas rochas que preservam dinossauros também guardam fósseis de anfíbios, lagartos, aves e mamíferos de porte reduzido. Se dinossauros do tamanho de ratos fossem comuns, haveria registros fósseis desses animais nos mesmos locais.
A pressão ecológica dos mamíferos
A principal explicação levantada pelo estudo é de natureza ecológica. Acredita-se que os mamíferos pequenos, que coexistiram com os dinossauros, já ocupavam os nichos ambientais disponíveis, competindo por abrigo e alimento. Esse cenário teria criado uma pressão evolutiva mútua: enquanto os grandes dinossauros limitavam o crescimento dos mamíferos, estes impediam o surgimento de dinossauros minúsculos.
Essa teoria encontra suporte na observação de aves que não voam, que geralmente mantêm o limite mínimo de 450 gramas, exceto em regiões onde não há a presença de mamíferos.
O impacto do voo na diversificação
A superação desse limite de tamanho ocorreu apenas com o surgimento do voo nas aves, descendentes dos dinossauros. Ao conquistar o espaço aéreo, esses animais acessaram novos recursos e modos de vida, libertando-se das restrições enfrentadas por seus ancestrais terrestres.
Após a evolução do voo, as primeiras aves reduziram seu tamanho rapidamente e passaram por um processo de diversificação. No entanto, os pesquisadores ressaltam que essa interpretação ainda requer a descoberta de novos fósseis, já que os registros atuais, concentrados principalmente na China, abrangem apenas o início dessa transição evolutiva.