Ciência

Estudo teórico analisa a criação de múltiplos fótons ao tentar cortar a propagação da luz

12 de Outubro de 2026 às 06:12 3 min de leitura

Físicos da Universidade de Oslo publicaram na Physical Review Letters um estudo teórico sobre a tentativa de cortar um fóton. A pesquisa indica que a remoção de um dispositivo óptico durante a reflexão da luz gera a superposição de múltiplos fótons, dependendo da velocidade do processo

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Estudo teórico analisa a criação de múltiplos fótons ao tentar cortar a propagação da luz
Benjamin Yuen/University of Birmingham

Físicos da Universidade de Oslo, na Noruega, desenvolveram um estudo teórico que analisa as consequências de se tentar "cortar" um fóton durante sua propagação. A pesquisa, publicada na Physical Review Letters, investiga como a natureza ondulatória da luz reage quando parte de sua distribuição espacial é bloqueada por um dispositivo óptico.

Embora os fótons sejam partículas elementares sem massa e, por definição, indivisíveis, eles apresentam a dualidade onda-partícula. Isso significa que podem ser compreendidos como pacotes ondulatórios estendidos no espaço, e não apenas como pontos localizados.

A dinâmica do campo quântico

O experimento teórico propõe a utilização de um dispositivo óptico, similar a um espelho, posicionado à frente desse pacote de ondas. A chave do processo reside na remoção do dispositivo enquanto o fóton é refletido, o que gera uma superposição de modos capazes de seguir direções distintas.

Diferente de um corte físico que dividiria a partícula, essa ação modifica abruptamente o campo quântico associado ao fóton. O resultado não é a fragmentação da partícula em duas metades ou a criação de dois fótons independentes, mas a geração de um estado de complexidade superior ao original.

Superposição e quantidade de partículas

Com base na teoria quântica de campos, os cálculos indicam que a remoção do espelho cria uma superposição que pode conter zero, um ou múltiplos fótons. De acordo com os autores, a remoção de parte da onda resulta, efetivamente, em um conjunto de novos fótons, reorganizando a energia do campo.

A quantidade de partículas geradas nesse processo está diretamente ligada à velocidade de remoção do dispositivo:

  • Remoção lenta: resulta em um número pequeno de fótons.
  • Remoção rápida: gera um número maior de partículas.

Johannes Skaar, coautor do trabalho, ressalta que o número de partículas nunca seria infinito, pois isso exigiria que o dispositivo fosse removido a uma velocidade ilimitada, o que é fisicamente impossível.

Observação e zonas de transição

A análise das regiões separadas pelo "corte" revela um comportamento peculiar. Em medições locais, um lado apresentaria um estado equivalente a um único fóton, enquanto o outro apresentaria o vácuo (zero fótons).

A complexidade da superposição de partículas ficaria concentrada apenas em uma estreita zona de transição entre essas duas áreas. Assim, para um observador que analise apenas as regiões distantes dessa fronteira, as estatísticas seriam idênticas às de estados quânticos muito mais simples.

Embora a pesquisa seja teórica, os pesquisadores afirmam que a verificação experimental é viável. Como fótons de banda estreita podem se estender por quilômetros, o espelho não precisaria de velocidades irreais para validar o conceito de "fóton truncado", abrindo novas perspectivas sobre a relação entre a luz, o vácuo e os processos de medição.

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