Estudo utiliza sinais de infrassom para analisar explosão de foguete da Blue Origin na Flórida
A explosão do foguete New Glenn, da Blue Origin, ocorrida em 29 de maio em Cabo Cañaveral, é estudada via infrassom para analisar a propagação de ondas atmosféricas. A falha em uma válvula de oxigênio liberou energia estimada em 0,131 kilotons de TNT, detectada a até 1.684 km de distância
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Uma explosão durante os testes do New Glenn, o maior foguete da Blue Origin, tornou-se objeto de estudo científico para compreender a propagação de ondas geradas por acidentes aeroespaciais de grande magnitude na atmosfera. A análise, detalhada na revista The Seismic Record, utilizou sinais de infrassom — frequências sonoras imperceptíveis ao ouvido humano, mas detectáveis por equipamentos especializados — para reconstruir a dinâmica do evento.
O incidente aconteceu na sexta-feira, 29 de maio, na Estação de Força Espacial de Cabo Cañaveral, durante um teste estático de ignição que precedia o quarto lançamento do veículo. O propulsor, com 98 metros de altura e destinado a missões comerciais de alta capacidade, explodiu repentinamente, resultando em danos significativos na plataforma de lançamento e na dispersão de fragmentos em chamas. A Blue Origin identificou que a causa provável do acidente foi a falha em uma válvula de oxigênio.
Alcance e magnitude da detonação
Embora o estrondo e a onda de choque tenham sido percebidos por milhares de moradores da Flórida, a amplitude do fenômeno foi captada por 36 estações de monitoramento nos Estados Unidos. A detecção mais distante ocorreu no nordeste do Texas, a cerca de 1.684 km do local da explosão, evidenciando a capacidade de deslocamento das ondas de baixa frequência.
A partir da análise das frequências e da distância percorrida, pesquisadores dos Sandia National Laboratories estimaram a energia liberada no evento. Os cálculos apontam que a potência inicial da explosão foi de 0,131 kilotons de TNT (aproximadamente 144 toneladas americanas). Esse valor é ligeiramente superior à energia da detonação inicial do reator de Chernobyl, em 1986, embora a comparação se limite estritamente à potência da explosão, sem relação com as consequências dos dois eventos.
Comportamento do combustível
O estudo também investigou a participação do combustível criogênico no acidente. Os cientistas estimaram que apenas entre 3% e 6% do propelente presente no foguete integrou a explosão inicial.
Essa proporção é considerada previsível para acidentes dessa natureza, pois o combustível e o oxidante não reagem necessariamente de forma simultânea. Enquanto uma fração do material impulsiona a detonação inicial, o restante tende a queimar de maneira gradual, formando a coluna de fumaça e a bola de fogo observadas.
A equipe de pesquisa conclui que o monitoramento de infrassom pode se consolidar como uma ferramenta fundamental para a análise de acidentes com foguetes e outros fenômenos energéticos de grande escala ocorridos a longas distâncias.