Estudos indicam que a esquizofrenia resulta da combinação de fatores genéticos e traumas ambientais
Pesquisas de Consuelo Walss-Bass indicam que a esquizofrenia resulta da interação entre traumas e 287 genes identificados. O diagnóstico precoce baseia-se em sinais de paranoia, isolamento e irritabilidade, enquanto o tratamento envolve a clozapina e terapias de estimulação cerebral
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A combinação de fatores genéticos e ambientais é a chave para compreender por que a esquizofrenia se manifesta em alguns indivíduos e não em outros, mesmo dentro de uma mesma família. Essa é a premissa central dos estudos de Consuelo Walss-Bass, bioquímica e geneticista da UTHealth Houston, que dirige o Programa de Genética Psiquiátrica da instituição e coordena um laboratório com 180 cérebros destinados à pesquisa.
A cientista, que dedicou mais de duas décadas ao estudo de transtornos psiquiátricos em nível molecular, analisa a doença como uma "tempestade perfeita". Para Walss-Bass, a patologia não é causada por um único gene culpado, mas por uma combinação de genes herdados e traumas vivenciados. Atualmente, a ciência já identifica 287 genes que contribuem para o transtorno, mas a investigação agora se volta para entender quais combinações específicas tornam algumas pessoas mais vulneráveis e outras mais resilientes.
O impacto do ambiente e do trauma
Além da carga genética, o momento e a intensidade dos traumas desempenham um papel crucial. No caso de sua irmã, Paty, Walss-Bass observa que a ausência de suporte emocional nos primeiros meses de vida, somada ao isolamento durante o desenvolvimento cerebral na infância e adolescência, foram gatilhos determinantes para o surgimento da doença.
A identificação precoce é um dos maiores desafios, pois os sintomas iniciais costumam coincidir com a reorganização cerebral da adolescência. No entanto, a especialista destaca que a coexistência de três sinais específicos deve servir de alerta:
- Paranoia (sentir-se observado ou acreditar que outros falam mal de si);
- Isolamento social acentuado;
- Irritabilidade e crises de raiva.
Tratamentos e perspectivas científicas
Embora a esquizofrenia não tenha cura, a estabilidade do paciente é possível mediante o apoio de redes de suporte familiar e sistemas de saúde eficientes. No campo farmacológico, a clozapina permanece como uma das medicações mais eficazes, apesar de ser um fármaco antigo.
No âmbito das terapias biológicas, a estimulação do cérebro para alterar a comunicação entre neurônios tem sido utilizada. Procedimentos como a Estimulação Magnética Transcraneal (EMT) e a terapia de eletrochoque — hoje realizada de forma mais sutil do que em décadas passadas — podem apresentar resultados positivos dependendo do estágio de avanço da doença.
O otimismo da pesquisadora reside na evolução da genética. Com a compreensão dos mecanismos que causam a patologia, a expectativa é o desenvolvimento de novos medicamentos que não apenas combatam os sintomas, mas que atuem diretamente nos genes causadores.
Combate ao estigma
A compreensão da esquizofrenia como uma doença biológica é fundamental para reduzir o preconceito. Walss-Bass enfatiza que comportamentos violentos ou estranhos não são planejados pelos pacientes, mas são reações a pensamentos intrusivos e fatores fora de seu controle.
A cientista, que relata sua trajetória e a de sua família no livro Por que a Minha Irmã? (com lançamento previsto para 2026), defende que a empatia e a informação são as únicas ferramentas capazes de superar a estigmatização que ainda isola pacientes e suas famílias.