Esturjões da América do Norte podem viver significativamente mais do que os 150 anos previstos
Pesquisa publicada no Journal of Fish Biology indica que esturjões de água doce dos Grandes Lagos podem viver mais de 150 anos. O novo modelo matemático estima que fêmeas de 180 cm podem atingir 427 anos. A revisão ocorreu após a identificação de falhas em métodos de datação por espinhas peitorais
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Esturjões de água doce da América do Norte podem viver significativamente mais do que os 150 anos previstos por décadas de estudos científicos. Uma pesquisa publicada no Journal of Fish Biology indica que esses peixes, especialmente os habitantes dos Grandes Lagos, possuem uma longevidade muito superior, funcionando como registros biológicos de séculos passados.
A falha nos métodos de datação
A revisão do tempo de vida da espécie ocorreu após a identificação de imprecisões em técnicas antigas. Desde 1963, a idade dos esturjões era calculada pela análise de camadas de crescimento nas espinhas das nadadeiras peitorais. Contudo, descobriu-se que a reabsorção do tecido ósseo pode apagar anéis de crescimento, fazendo com que exemplares idosos sejam erroneamente classificados como mais jovens.
Para corrigir essa distorção, a nova metodologia abandonou a análise óssea direta e utilizou um sistema de captura, marcação e recaptura. Ao monitorar o crescimento de cinco populações distintas nos Grandes Lagos, os cientistas conseguiram mapear a desaceleração do ritmo de desenvolvimento dos peixes ao longo do tempo, criando um modelo matemático de estimativa etária.
Estimativas de longevidade
Os dados revelam amplitudes temporais surpreendentes para a espécie. O modelo indica que:
- Um macho com 160 cm de comprimento pode ter entre 90 e 279 anos.
- Uma fêmea com 180 cm pode atingir a marca de 427 anos.
Essa escala temporal sugere a existência de indivíduos que nasceram antes de eventos históricos como a cessão de Gibraltar da Espanha para a coroa britânica, ocorrida entre 1704 e 1713.
Apesar dos números expressivos, a pesquisa mantém a cautela, pois as idades são baseadas em modelos de crescimento e não em datação direta de tecidos. Com isso, o tubarão-de-groenlândia, com estimativas próximas a 400 anos, permanece como o peixe mais longevo oficialmente reconhecido.
Impacto na conservação
O estudo, que contou com a colaboração de universidades, órgãos governamentais e nações tribais, validou conhecimentos prévios de comunidades indígenas sobre a vida prolongada desses animais. Scott Colborne, professor da Universidade Estadual de Michigan, ressaltou que a cooperação a longo prazo foi fundamental para a obtenção dos dados.
A descoberta altera a estratégia de preservação ambiental. Como o ciclo de vida do esturjão pode se estender por séculos, a morte prematura de poucos indivíduos pode comprometer a estabilidade da população por diversas gerações, elevando a urgência na proteção dos espécimes nos Grandes Lagos.