Ciência

Exoplaneta TOI-561 b reflete a maior parte da radiação estelar graças a nuvens minerais

27 de Outubro de 2026 às 15:01 2 min de leitura

O exoplaneta TOI-561 b, a 280 anos-luz da Terra, reflete 75% da luz estelar devido a nuvens de minerais de silicato. Dados do Telescópio Espacial James Webb indicam que a atmosfera, possivelmente reabastecida por um oceano de rocha derretida, protege a superfície da radiação

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Exoplaneta TOI-561 b reflete a maior parte da radiação estelar graças a nuvens minerais
CryoDragon Inc.

O exoplaneta TOI-561 b, localizado a aproximadamente 280 anos-luz da Terra, apresenta um mecanismo natural de reflexão de radiação que desafia as previsões térmicas para mundos rochosos próximos de suas estrelas. Observações realizadas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram que o planeta reflete cerca de 75% da luz estelar recebida, índice similar ao observado em Vênus.

A descoberta, detalhada em 29 de setembro na revista The Astronomical Journal, indica que a superfície do planeta, composta por um oceano de rocha derretida, é protegida por nuvens altamente refletivas. A hipótese central é que essas nuvens sejam formadas por minerais de silicato, como o dióxido de silício (SiO₂) e o silicato de magnésio (MgSiO₃), que atuam como uma barreira contra a radiação.

Análise térmica e a curva de fase

Para compreender por que o lado iluminado do TOI-561 b apresentava temperaturas menores do que o esperado, astrônomos monitoraram quase quatro órbitas completas do planeta durante 37 horas. A equipe utilizou a técnica de curva de fase para analisar as variações de brilho e temperatura, permitindo a observação do lado noturno do exoplaneta.

A análise demonstrou que o lado escuro não retinha calor suficiente para justificar a energia ausente na face iluminada, confirmando que a radiação era refletida de volta ao espaço antes de atingir a superfície. Além da reflexão, a atmosfera do planeta auxilia na distribuição do calor entre os dois hemisférios, mitigando a temperatura da região exposta à estrela, embora o ambiente permaneça hostil à vida.

A persistência da atmosfera

A existência de uma atmosfera espessa no TOI-561 b contraria as teorias astronômicas vigentes, que previam a perda total dessa camada gasosa há bilhões de anos devido à intensidade da radiação. Uma possibilidade investigada é que o oceano de rocha derretida funcione como um sistema vulcânico massivo, liberando gases continuamente para reabastecer a atmosfera.

Atualmente, a composição química dessa camada gasosa permanece incerta. As hipóteses principais sugerem dois cenários:

  • Uma atmosfera rica em dióxido de carbono, assemelhando-se a uma versão superaquecida de Vênus;
  • Uma composição dominada por dióxido de enxofre, característica de mundos com alta atividade vulcânica, como a lua Io, de Júpiter.

Novas observações com o JWST, utilizando comprimentos de onda maiores, serão realizadas para definir a composição química do planeta e entender como ele conseguiu preservar sua atmosfera sob condições tão extremas.

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