Ciência

Expedição científica analisará anomalia subaquática que pode ser parte do avião de Amelia Earhart

05 de Agosto de 2026 às 06:10

Uma anomalia metálica chamada Taraia, localizada no atol de Nikumaroro, será analisada por pesquisadores do Archaeological Legacy Institute e da Universidade Purdue. A expedição utilizará sonar e magnetômetros para verificar se a estrutura corresponde aos restos do avião de Amelia Earhart

Expedição científica analisará anomalia subaquática que pode ser parte do avião de Amelia Earhart
Instituto del Legado Arqueológico 2025

Uma anomalia subaquática detectada no atol de Nikumaroro, no Pacífico Sul, trouxe novos elementos à investigação sobre o desaparecimento de Amelia Earhart, ocorrido há quase 90 anos. A estrutura, que apresenta um formato alongado e está parcialmente submersa em uma lagoa, foi identificada por meio de imagens de satélite e fotografias aéreas, sugerindo a possibilidade de se tratar de restos metálicos.

A descoberta do objeto Taraia

A silhueta, batizada de Taraia, foi localizada em 2020 por Mike Ashmore, veterano da Marinha dos EUA, enquanto analisava imagens do Google Maps. Ao notar a forma semelhante à asa de uma aeronave, Ashmore compartilhou o registro em um fórum do The International Group for Historic Aircraft Recovery.

A análise posterior foi conduzida por Rick Pettigrew, diretor executivo do Archaeological Legacy Institute. O arqueólogo constatou que a anomalia também é visível em fotografias aéreas datadas de 1938, apenas um ano após o último voo da aviadora.

Planejamento da expedição científica

Para validar a natureza do objeto, uma missão conjunta entre o Archaeological Legacy Institute e a Universidade Purdue — instituição onde Earhart atuou no departamento de aeronáutica — está sendo organizada. O grupo de 14 pesquisadores percorrerá aproximadamente 1.200 milhas náuticas a partir de Majuro, nas Ilhas Marshall, rumo ao atol desabitado de Kiribati.

A metodologia de estudo prevê cinco dias de análise utilizando:

  • Câmeras;
  • Sonar;
  • Magnetômetros.

A escavação, que poderá ser realizada com uma dragada hidráulica, ocorrerá apenas após a documentação rigorosa da composição e posição da estrutura, visando preservar o ambiente da lagoa.

Hipóteses e divergências técnicas

Existe a possibilidade de que a estrutura pertença ao corpo do Lockheed 10E Electra, aeronave pilotada por Earhart. No entanto, essa tese é contestada por outros especialistas, que sugerem que a imagem possa representar um tronco de árvore ou elementos naturais cobertos por sedimentos.

Ric Gillespie, fundador do TIGHAR, mantém a visão de que a silhueta de Taraia assemelha-se a um pandanus caído. Embora defenda que a aviadora possa ter sobrevivido como náufraga em Nikumaroro, Gillespie acredita que o avião teria sido arrastado para o oceano e destruído contra um recife logo após o pouso.

O mistério do voo de 1937

Amelia Earhart e o navegador Fred Noonan desapareceram em 2 de julho de 1937, durante uma tentativa de alcançar a ilha Howland em sua jornada de volta ao mundo. A versão oficial indica que a aeronave teria ficado sem combustível, caindo no oceano. Alinhada a essa teoria, a empresa Nauticos prepara buscas submarinas próximas a Howland, utilizando quatro veículos autônomos e novas técnicas de sonar baseadas nas últimas comunicações de rádio.

Paralelamente, a teoria de que Earhart teria pousado em Nikumaroro é sustentada por evidências encontradas em 1940, como restos ósseos, além de objetos como um espelho, uma faca, um frasco de cosméticos e uma caixa que poderia ter guardado um sextante. A análise do objeto Taraia poderá, portanto, confirmar a presença de materiais concretos ou descartar essa linha de investigação.

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