Ciência

Expedição científica documenta campo hidrotermal com torres de carbonato no Oceano Atlântico

23 de Junho de 2026 às 09:19

Uma expedição científica documentou um campo hidrotermal de carbonato a mais de 700 metros de profundidade no Oceano Atlântico. O sistema, ativo há pelo menos 120 mil anos, abriga comunidades microbianas e fauna diversa que dependem de reações químicas entre a água do mar e o manto terrestre. Em 2024, pesquisadores recuperaram uma amostra de rocha do manto com 1.268 metros de comprimento na região

Expedição científica documenta campo hidrotermal com torres de carbonato no Oceano Atlântico
Lost City Research/University of Washington

Uma expedição científica no Oceano Atlântico documentou um campo hidrotermal localizado a mais de 700 metros de profundidade, ao oeste da dorsal mesoatlântica. O cenário é composto por colunas de carbonato erguidas sobre uma montanha submarina, com destaque para o Poseidão, um monolito natural que ultrapassa 60 metros de altura. Diferente dos respiradouros vulcânicos conhecidos como "black smokers", que dependem do calor do magma e de minerais de ferro e enxofre, este sistema geológico opera por meio da reação entre a água do mar e o manto terrestre, resultando em torres de calcita com paredes esbranquiçadas.

A atividade do local persiste há pelo menos 120 mil anos, embora a história geológica possa ser anterior. O processo químico libera metano, hidrogênio e outros gases dissolvidos, criando um ambiente onde a vida prospera sem a necessidade de oxigênio ou luz solar. Nas fendas e cavidades das estruturas, comunidades microbianas utilizam hidrocarbonetos como fonte de energia. A fauna local inclui caracóis e crustáceos, além de aparições menos frequentes de camarões, caranguejos, erizos do mar e tubarões.

Além do monolito Poseidão, a região apresenta formações de carbonato com ramificações semelhantes a dedos, originadas pela emergência lenta de fluidos. Em 2024, a pesquisa avançou com a recuperação de uma amostra de rocha do manto com 1.268 metros de comprimento nas proximidades do campo. O material permite analisar as reações químicas e as condições minerais do fundo oceânico que podem ter favorecido os primeiros processos biológicos da Terra.

Devido a essas características, o ecossistema serve como modelo para a possibilidade de vida em outros corpos celestes, como as luas Europa, de Júpiter, e Encélado, de Saturno, ou mesmo no Marte primitivo. Diante da relevância científica para a compreensão da origem da vida, há defesas para que a área seja protegida contra os impactos da mineração submarina.

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