Expedição científica identifica 31 espécies desconhecidas no Atlântico Sul tropical na costa de Fortaleza
Uma expedição científica na costa de Fortaleza identificou 31 espécies desconhecidas no Atlântico Sul tropical. A operação utilizou o navio Falkor e o submersível SuBastian para catalogar organismos da zona intermediária do oceano. O levantamento incluiu águas-vivas, sifonóforos, ctenóforos, larváceos, rizários gigantes, um anfípode e um verme
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Uma expedição científica na costa de Fortaleza, Brasil, identificou 31 espécies desconhecidas para a ciência no Atlântico Sul tropical. O estudo focou na zona intermediária do oceano, faixa situada entre a superfície iluminada e o fundo marinho, considerada um dos habitats menos explorados do planeta.
A campanha Designing the Future 3, realizada entre 15 e 30 de abril, utilizou o navio de pesquisa Falkor e o veículo submersível controlado remotamente SuBastian. A operação, coordenada pelo Schmidt Ocean Institute com uma equipe internacional, empregou sistemas de imagem de alta resolução para observar organismos que, devido a corpos gelatinosos, transparentes ou frágeis, costumam ser deformados por métodos tradicionais de captura.
O catálogo de novas espécies inclui nove águas-vivas, sete sifonóforos, sete ctenóforos, quatro larváceos, dois rizários gigantes — organismos unicelulares visíveis a olho nu —, um anfípode e um verme do gênero Tomopteris.
O avanço na catalogação foi possível graças às tecnologias DeepPIV e EyeRIS, desenvolvidas pelo Monterey Bay Aquarium Research Institute (MBARI). Esses sistemas utilizam lasers para escanear os animais e gerar modelos 3D sem removê-los da água. Um exemplo da eficácia do método ocorreu a 552 metros de profundidade, quando foi registrado um sifonóforo — colônia de unidades especializadas chamadas zoóides, aparentada a corais e águas-vivas — em postura defensiva.
Para acelerar a descrição das espécies, que normalmente levaria décadas, a equipe integrou as imagens de profundidade a análises genéticas feitas a bordo. O suporte tecnológico foi complementado por microscópios avançados, câmeras de alta resolução e sistemas de realidade virtual, permitindo a análise de organismos vivos em condições próximas ao ambiente natural.
A Dra. Karen Osborn, do Smithsonian National Museum of Natural History, destaca que a zona intermediária do oceano abriga animais ainda pouco compreendidos. Já a engenheira Kakani Katija, do laboratório de bioinspiração do MBARI, ressalta a importância do uso de ferramentas não invasivas para descrever essa vida rara. Para Jyotika Virmani, diretora executiva do Schmidt Ocean Institute, a integração dessas tecnologias representa a evolução da ciência biológica marinha em ecossistemas vastos e escuros.