Ciência

Expedição científica identifica nova espécie de primata no Parque Nacional de Lomami no Congo

17 de Agosto de 2026 às 06:12

Uma expedição científica identificou a nova espécie de primata Colobus congoensis no Parque Nacional de Lomami, na República Democrática do Congo. A descoberta foi confirmada por análises genéticas, registros acústicos e observações de campo detalhadas na revista PLOS One. O animal possui pelagem preta com mancha branca e parentesco com colobos negros de regiões distantes

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Expedição científica identifica nova espécie de primata no Parque Nacional de Lomami no Congo
Daniel Rosengren

Uma expedição científica no Parque Nacional de Lomami, na República Democrática do Congo, identificou uma nova espécie de primata, batizada de Colobus congoensis. A descoberta, detalhada na revista PLOS One, foi consolidada por meio de análises genéticas, registros acústicos, fotografias e observações de campo em regiões remotas da floresta.

Processo de identificação e rastreamento

A busca sistemática pelo animal começou após evidências iniciais colhidas em 2008 e 2009, quando conservacionistas e patrulhas registraram imagens de um macaco não identificado. Para localizar a espécie, o biólogo Junior Amboko e sua equipe consultaram moradores de 52 aldeias da região. Apenas oito localidades reconheceram o primata.

As comunidades locais possuíam nomenclaturas distintas para o animal: o povo Balanga o chamava de "likweli", enquanto grupos de Mituku utilizavam o termo "kasaba nkoni", que significa "aquele que sacode os galhos", em referência à maneira vigorosa como o macaco salta entre as árvores.

Características físicas e comportamento

Entre 2018 e 2022, os pesquisadores registraram 114 avistamentos em uma área de 1.700 km², limitada pelos rios Lualaba e Lomami. O Colobus congoensis apresenta as seguintes características:

  • Peso e socialização: Os indivíduos pesam cerca de 7 kg e costumam circular em grupos de até 20 membros.
  • Pelagem: O corpo é coberto por pelos pretos brilhantes, com a presença de uma mancha branca na parte posterior e pelos eriçados ao redor da cabeça.
  • Face: Possui maçãs do rosto cinzentas e uma área de pele sem pelos, em tons de creme ou laranja, ao redor do nariz e da boca.
  • Vocalização: A espécie emite grunhidos e rugidos profundos, com uma assinatura acústica distinta de qualquer outro primata conhecido.

Análise genética e linhagem evolutiva

A confirmação de que se tratava de uma espécie inédita ocorreu após o sequenciamento de DNA de amostras obtidas de animais abatidos pelo comércio ilegal de carne silvestre. A antropóloga Kate Detwiler observou que uma região específica do genoma mitocondrial do animal divergia significativamente de outros macacos colobos.

A comparação com bancos de dados genéticos, peles, dentes e crânios de museus revelou que os parentes mais próximos do Colobus congoensis são os colobos negros, encontrados no Gabão, Camarões e na ilha de Bioko, a aproximadamente 1.200 km de distância. Estima-se que as duas linhagens tenham se separado há um período entre 3,44 e 5,78 milhões de anos, representando um dos maiores intervalos evolutivos dentro do gênero.

Estado de conservação

Devido à perda de habitat, à pressão da caça e à sua distribuição geográfica restrita, os cientistas propõem que a espécie seja classificada como ameaçada. Como medida de preservação, os pesquisadores defendem a ampliação da proteção ambiental no Parque Nacional de Lomami.

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