Expedição científica identifica nova espécie de primata no Parque Nacional de Lomami no Congo
Uma expedição científica identificou a nova espécie de primata Colobus congoensis no Parque Nacional de Lomami, na República Democrática do Congo. A descoberta foi confirmada por análises genéticas, registros acústicos e observações de campo detalhadas na revista PLOS One. O animal possui pelagem preta com mancha branca e parentesco com colobos negros de regiões distantes
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Uma expedição científica no Parque Nacional de Lomami, na República Democrática do Congo, identificou uma nova espécie de primata, batizada de Colobus congoensis. A descoberta, detalhada na revista PLOS One, foi consolidada por meio de análises genéticas, registros acústicos, fotografias e observações de campo em regiões remotas da floresta.
Processo de identificação e rastreamento
A busca sistemática pelo animal começou após evidências iniciais colhidas em 2008 e 2009, quando conservacionistas e patrulhas registraram imagens de um macaco não identificado. Para localizar a espécie, o biólogo Junior Amboko e sua equipe consultaram moradores de 52 aldeias da região. Apenas oito localidades reconheceram o primata.
As comunidades locais possuíam nomenclaturas distintas para o animal: o povo Balanga o chamava de "likweli", enquanto grupos de Mituku utilizavam o termo "kasaba nkoni", que significa "aquele que sacode os galhos", em referência à maneira vigorosa como o macaco salta entre as árvores.
Características físicas e comportamento
Entre 2018 e 2022, os pesquisadores registraram 114 avistamentos em uma área de 1.700 km², limitada pelos rios Lualaba e Lomami. O Colobus congoensis apresenta as seguintes características:
- Peso e socialização: Os indivíduos pesam cerca de 7 kg e costumam circular em grupos de até 20 membros.
- Pelagem: O corpo é coberto por pelos pretos brilhantes, com a presença de uma mancha branca na parte posterior e pelos eriçados ao redor da cabeça.
- Face: Possui maçãs do rosto cinzentas e uma área de pele sem pelos, em tons de creme ou laranja, ao redor do nariz e da boca.
- Vocalização: A espécie emite grunhidos e rugidos profundos, com uma assinatura acústica distinta de qualquer outro primata conhecido.
Análise genética e linhagem evolutiva
A confirmação de que se tratava de uma espécie inédita ocorreu após o sequenciamento de DNA de amostras obtidas de animais abatidos pelo comércio ilegal de carne silvestre. A antropóloga Kate Detwiler observou que uma região específica do genoma mitocondrial do animal divergia significativamente de outros macacos colobos.
A comparação com bancos de dados genéticos, peles, dentes e crânios de museus revelou que os parentes mais próximos do Colobus congoensis são os colobos negros, encontrados no Gabão, Camarões e na ilha de Bioko, a aproximadamente 1.200 km de distância. Estima-se que as duas linhagens tenham se separado há um período entre 3,44 e 5,78 milhões de anos, representando um dos maiores intervalos evolutivos dentro do gênero.
Estado de conservação
Devido à perda de habitat, à pressão da caça e à sua distribuição geográfica restrita, os cientistas propõem que a espécie seja classificada como ameaçada. Como medida de preservação, os pesquisadores defendem a ampliação da proteção ambiental no Parque Nacional de Lomami.