Ciência

Expedição detecta resíduos plásticos em profundidades do cânion submarino de Mar del Plata na Argentina

20 de Setembro de 2026 às 12:06 2 min de leitura

Expedição científica identificou 29 resíduos artificiais, majoritariamente de plástico, no cânion submarino de Mar del Plata, na Argentina. Os detritos, localizados entre 1.120 e 3.820 metros de profundidade, teriam origem em atividades de pesca

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Expedição detecta resíduos plásticos em profundidades do cânion submarino de Mar del Plata na Argentina
SMARTEX/ROV Isis

Uma expedição científica ao cânion submarino de Mar del Plata, na Argentina, detectou a presença de resíduos artificiais em profundidades onde nunca haviam sido realizados registros sistemáticos. O estudo, publicado na revista PLOS One, identificou 29 objetos produzidos por humanos durante 17 mergulhos efetuados pelo veículo remotamente controlado SuBastian.

Embora o foco da missão fosse a análise da biodiversidade bentônica, a equipe documentou lixo marinho em 10 das 17 incursões realizadas entre julho e agosto de 2025. Os detritos foram localizados em profundidades que variam entre 1.120 e 3.820 metros.

Composição e localização dos resíduos

A grande maioria dos itens encontrados era composta por plástico, totalizando 27 dos 29 objetos registrados. Entre os materiais identificados estão:

  • Embalagens de alimentos (incluindo um pacote de macarrão instantâneo Mi Goreng a 1.920 metros);
  • Uma corda de nylon com anzol, encontrada a 1.949 metros;
  • Uma bota de borracha, copo descartável e sacola plástica.

A distribuição desses materiais não foi aleatória. Os resíduos concentravam-se em pontos específicos do eixo e das paredes do cânion, onde a topografia do terreno facilita a retenção de objetos. Esse fenômeno é potencializado pela dinâmica hídrica da região, onde a corrente quente do Brasil e a corrente fria das Malvinas se encontram, transportando nutrientes, sedimentos e, consequentemente, detritos para as profundezas.

Origem e impacto ecológico

Devido à distância do cânion em relação à costa e sua separação da plataforma continental, os pesquisadores descartam que a poluição seja proveniente de centros urbanos argentinos. A análise dos materiais sugere que a origem seja ligada a atividades marítimas, especialmente de embarcações de pesca.

Apesar de a densidade de lixo ser inferior a outros cânions submarinos — com menos de três resíduos por quilômetro, enquanto outras regiões registram entre 50 e 80 —, a preocupação dos cientistas reside na interação biológica.

Foi observado que a fauna local já utiliza esses materiais como suporte. Artrópodes foram encontrados em uma folha de plástico preto, enquanto vermes poliquetas e estrelas do mar colonizaram a corda e a sacola plástica. Essa transformação de resíduos em substratos artificiais pode alterar a composição das comunidades locais em um ecossistema ainda pouco explorado pela ciência.

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