Ciência

Expedição dos Estados Unidos encontra dentes fósseis de megalodonte no Oceano Pacífico Sul

07 de Agosto de 2026 às 18:05

Expedição da NOAA localizou dentes fósseis de megalodonte a 5,6 km de profundidade no Oceano Pacífico Sul, perto das Ilhas Cook. As peças, algumas com mais de 7 cm, foram encontradas integradas a nódulos polimétálicos. Os fósseis serão utilizados para reconstruir antigos padrões de circulação oceânica

Expedição dos Estados Unidos encontra dentes fósseis de megalodonte no Oceano Pacífico Sul
NOAA Ocean Exploration

Uma expedição da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) localizou dentes fósseis de um megalodonte a aproximadamente 5,6 km de profundidade, no Oceano Pacífico Sul, nas proximidades das Ilhas Cook. As peças foram encontradas integradas a nódulos polimétálicos na planície abissal, revelando a presença do maior tubarão e peixe já conhecido, espécie que foi extinta há mais de três milhões de anos.

Alguns dos exemplares recuperados superam os 7 cm de comprimento. A coleta de um desses dentes ocorreu durante a nona imersão da exploração de 2026, operação acompanhada remotamente pelo primeiro-ministro das Ilhas Cook, Mark Brown. A remoção do fóssil foi realizada de modo a preservar a integridade do ambiente ao redor.

Processo de fossilização e composição mineral

O dente do predador gigante passou por um processo de fossilização e posterior revestimento por minerais ricos em manganês e ferro. Ao atingir o fundo do oceano, a peça serviu como núcleo para a criação de um nódulo polimétálico, acumulando camadas minerais lentamente ao longo de milhões de anos.

Essa característica explica a presença de múltiplos dentes presos a essas massas minerais. Como o esqueleto dos tubarões é formado majoritariamente por tecidos conjuntivos e cartilagem — materiais com baixa durabilidade —, os dentes são as estruturas que melhor resistem ao tempo e permitem a preservação de dados químicos sobre o oceano antigo.

Valor científico e geológico

Para a NOAA, esses fósseis funcionam como arquivos naturais, pois absorvem terras raras e elementos traço dos sedimentos e da água. A concentração de neodímio nessas peças, por exemplo, é fundamental para a reconstrução de antigos padrões de circulação oceânica.

A missão nas Ilhas Cook visa a obtenção de amostras, dados e imagens sobre os nódulos polimétálicos do leito marinho. Embora tais formações possuam recursos valiosos, a descoberta de fósseis metálicos amplia o interesse científico, fornecendo evidências sobre a evolução do oceano e processos geológicos ocorridos.

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