Expedição dos Estados Unidos identifica rara formação de asfalto no fundo do Golfo do México
Uma expedição da NOAA identificou um lírio de asfalto a 1.900 metros de profundidade no Golfo do México. A formação geológica de hidrocarbonetos serve de habitat para diversas espécies e indica vazamentos ativos no subsolo. A missão também localizou um naufrágio do século XIX e registrou comportamentos inéditos de um polvo dumbo
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Uma expedição liderada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) identificou uma rara formação geológica a 1.900 metros de profundidade no Golfo do México. O achado ocorreu após a detecção de anomalias em dados de sonar de varredura lateral, que inicialmente sugeriam a presença de estruturas sólidas de grande porte, compatíveis com restos de embarcações naufragadas.
A formação do lírio de asfalto
Ao aproximarem os veículos de exploração, os cientistas descartaram a hipótese de construção humana. A estrutura, que lembrava uma flor de pedra emergindo do sedimento, foi identificada como um lírio de asfalto. Esse fenômeno ocorre quando hidrocarbonetos de depósitos subterrâneos ascendem por fissuras no leito oceânico, em um processo similar a uma erupção vulcânica, mas composto por derivados de petróleo.
A solidificação desses materiais acontece no contato com a água fria do oceano, resultando em superfícies asfaltadas ou em formas complexas que remetem a pétalas. A descoberta é considerada notável por não haver registros anteriores desse tipo de formação naquela região específica do Golfo do México.
Ecossistema e biodiversidade
A estrutura de asfalto endurecido funciona como um habitat essencial em um ambiente onde superfícies sólidas são escassas. A NOAA observou a fixação de diversas espécies na formação, incluindo:
- Octocorais, anêmonas e esponjas;
- Percebes e caranguejos squat.
Além disso, a presença de colônias de microrganismos, camarões e vermes tubícolas — organismos ligados à filtração de hidrocarbonetos — confirmou que o vazamento de substâncias do subsolo permanece ativo.
Outros achados da expedição
A missão no cânion Keathley registrou outras descobertas científicas. A equipe localizou um naufrágio do início do século XIX que preservava um cronômetro, item considerado incomum para embarcações daquela época.
No campo biológico e paleontológico, foram observados rastros de Paleodictyon, estruturas presentes tanto em fósseis quanto em fundos marinhos contemporâneos. A expedição também documentou um comportamento inédito de postura corporal em um polvo dumbo.