Ciência

Expedição espanhola percorrerá 3.400 quilômetros na Antártida para investigar poluentes e microrganismos em áreas remotas

13 de Outubro de 2026 às 09:06 3 min de leitura

Uma expedição espanhola percorrerá 3.400 quilômetros na Antártida a partir de 18 de outubro para analisar poluentes e microrganismos. Liderada por Ramón Larramendi, a missão utilizará um trineo movido a vento para executar 16 projetos científicos em 85 dias. A operação conta com apoio de instituições como a NASA e o Ministério da Ciência, Inovação e Universidades da Espanha

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Expedição espanhola percorrerá 3.400 quilômetros na Antártida para investigar poluentes e microrganismos em áreas remotas
Tierras Polares

Uma expedição científica espanhola percorrerá 3.400 quilômetros nas regiões mais remotas da Antártida para investigar a presença de poluentes e a propagação de microrganismos em áreas isoladas. A missão, denominada Trineo de Vento Antártida 2026-2027, busca mapear a extensão da influência humana no continente gelado e rastrear ameaças invisíveis ao meio ambiente.

A jornada terá início em 18 de outubro, partindo da Espanha sob o comando do explorador polar Ramón Larramendi. Ao longo de 85 dias, quatro especialistas executarão 16 projetos científicos com o apoio do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades.

Tecnologia e Logística da Travessia

O diferencial da operação reside no transporte: um trineo de 15 metros de comprimento, desenvolvido por Larramendi com inspiração em técnicas tradicionais inuítes. O veículo é movido exclusivamente pela força do vento, utilizando um sistema de cometas, enquanto a energia para os instrumentos de medição será gerada por painéis solares.

Com capacidade de carga de 2.100 quilos e velocidade máxima de 80 quilômetros por hora, a estrutura permitirá o deslocamento entre a base russa de Novolazárevskaya e a estação italiano-francesa Concordia. O trajeto inclui a passagem por Vostok, um dos pontos mais frios da Terra, e a travessia do Polo de Inacessibilidade, a 3.700 metros de altitude, sob temperaturas que podem atingir 50 graus abaixo de zero.

Objetivos Científicos e Monitoramento Ambiental

A equipe realizará cinco paradas estratégicas para a coleta de amostras e a execução de experimentos. Entre as prioridades da missão estão:

  • Análise Atmosférica: O Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa utilizará sistemas de filtragem para verificar se vírus são transportados pelo ar até o interior do continente.
  • Contaminação Humana: O CIEMAT focará na detecção de microplásticos e outros poluentes em zonas pouco exploradas.
  • Regulação Térmica: A Universidade de Oviedo investigará como a poeira e contaminantes afetam a capacidade do gelo de refletir a radiação solar, processo essencial para o controle da temperatura global.

Aplicações Espaciais e Parcerias

Além do foco ambiental, a expedição servirá como laboratório para analisar os impactos físicos e psicológicos do frio extremo e do isolamento nos tripulantes. Esses dados são considerados fundamentais para o planejamento de futuras missões tripuladas à Lua e a Marte.

O esforço científico envolve a colaboração da NASA, do CSIC, do INTA e de seis universidades espanholas. A conclusão da travessia está prevista para o início de fevereiro, momento em que o trineo será desmontado e armazenado na base Concordia para viabilizar uma eventual segunda missão.

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