Expedição internacional explora a biodiversidade e a geologia do Atlântico Sul com robô submarino
Vinte e cinco pesquisadores de cinco países exploram a Zona de Fratura Romanche, no Atlântico Sul, utilizando o navio Falcon e um robô não tripulado. A missão de um mês e meio busca coletar dados sobre a biodiversidade e mapear fontes hidrotermais em profundidades de até 6 mil metros
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Uma expedição científica composta por 25 pesquisadores de cinco nações iniciou uma missão de um mês e meio a bordo do navio Falcon para explorar regiões remotas do Atlântico Sul. O objetivo é acessar áreas do mar profundo que atingem quase 6 mil metros de profundidade, focando especialmente na Zona de Fratura Romanche.
Essa estrutura geológica é fundamental para a compreensão do processo de separação entre a América do Sul e a África, ocorrido há aproximadamente 200 milhões de anos. Embora a região possua amplo histórico de estudos geológicos, a missão visa preencher a lacuna de observações diretas sobre a sua biodiversidade.
Tecnologia e Coleta de Dados
Para a exploração, a equipe utiliza um robô não tripulado operado remotamente, projetado para reduzir a interferência no ecossistema marinho. O equipamento é capaz de coletar sedimentos, rochas e organismos vivos, operando sob a coordenação de cientistas e operadores em turnos que podem chegar a 16 horas diárias, com o suporte de câmeras de alta resolução.
A investigação busca mapear as fontes hidrotermais — fissuras no assoalho oceânico por onde emerge água aquecida pelo magma. Nesses locais, a sobrevivência não depende da luz solar, mas de bactérias que convertem compostos químicos em energia, sustentando ecossistemas singulares.
Desafios do Mar Profundo
A expedição ocorre em um cenário onde apenas 25% das profundezas oceânicas foram mapeadas. Em zonas de escuridão total, a fauna desenvolveu adaptações como a bioluminescência, utilizada para a comunicação, atração de presas e defesa contra predadores.
Além do mapeamento biológico e geológico, o estudo visa mensurar a vulnerabilidade desses ambientes diante da ação humana. A equipe alerta que a poluição por plástico, as mudanças climáticas e a pesca de arrasto podem causar danos permanentes ou que demandariam milênios para serem revertidos em ecossistemas tão frágeis.
Interatividade e Transmissão
O Instituto Ocean Schmidt será responsável por realizar transmissões ao vivo da missão via internet. O formato permitirá que o público acompanhe as descobertas em tempo real e interaja com os cientistas por meio de chats durante todo o percurso da viagem.