Expedição utiliza tecnologia de ponta para mapear em 3D naufrágios históricos no Atlântico Norte
A Royal Canadian Geographical Society mapeou e reconstruiu em 3D os destroços dos navios Quest e Terra Nova no Atlântico Norte. A operação utilizou o submarino Alvin e tecnologia de imagem da Voyis para gerar modelos digitais das embarcações. A missão também estudou a vida marinha e a preservação dos cascos
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Uma expedição promovida pela Royal Canadian Geographical Society utilizou tecnologia de ponta para mapear e reconstruir em 3D os destroços de duas embarcações históricas no Atlântico Norte, nas profundezas próximas à Gronelândia. O foco principal da missão foi o Quest, último navio de Ernest Shackleton, além da documentação do Terra Nova, utilizado por Robert Falcon Scott.
A operação teve início em 2 de julho, partindo da Instituição Oceanográfica Woods Hole, em Massachusetts. Para alcançar os naufrágios, a equipe utilizou o submarino tripulado Alvin, que permitiu a observação de estruturas preservadas sob sedimentos e na escuridão do fundo do mar.
Mapeamento digital do Quest
Localizado a mais de 305 metros de profundidade no Mar de Labrador, o Quest mantém grande parte de sua estrutura original. Para a recriação digital, foi empregado um sistema de imagem submarina da empresa canadense Voyis, que captura milhares de fotografias e medições tridimensionais.
Esses dados são processados para gerar um modelo digital detalhado, permitindo analisar a posição e o estado do navio sem a necessidade de remover qualquer material do leito oceânico. John Geiger, responsável pela missão, destacou que a capacidade de visualizar essas estruturas em alta resolução na tela representa um avanço significativo para a localização e o estudo de naufrágios históricos.
O Quest possui um vínculo direto com Ernest Shackleton, que faleceu de um ataque cardíaco a bordo da embarcação em 1922, aos 47 anos, enquanto planejava explorar o Ártico canadense. O navio permaneceu em atividade por décadas, vindo a naufragar em 1962. Seus restos foram localizados apenas em 2024, em uma expedição anterior também liderada por Geiger.
O legado do Terra Nova
A missão também registrou o Terra Nova, navio de madeira com três mastros que transportou Robert Falcon Scott em sua tentativa de atingir o Polo Sul em 1910. Scott alcançou o objetivo em 17 de janeiro de 1912, porém constatou que o norueguês Roald Amundsen havia chegado ao local cerca de um mês antes. O explorador e seus quatro companheiros morreram durante a viagem de retorno.
Análise biológica e preservação
Além do registro histórico, a expedição visa estudar a vida marinha que se estabeleceu ao redor dos cascos e compreender os processos de transformação química e física causados pelo oceano. Durante as descidas, os pesquisadores identificaram a presença de redes de arrasto pesadas que cobrem parcialmente os destroços.
A criação dessas reconstruções digitais é considerada fundamental para preservar a memória das embarcações antes que a degradação natural do ambiente marinho as destrua completamente.