Ciência

Expedição utiliza tecnologia de ponta para mapear em 3D naufrágios históricos no Atlântico Norte

18 de Julho de 2026 às 06:40

A Royal Canadian Geographical Society mapeou e reconstruiu em 3D os destroços dos navios Quest e Terra Nova no Atlântico Norte. A operação utilizou o submarino Alvin e tecnologia de imagem da Voyis para gerar modelos digitais das embarcações. A missão também estudou a vida marinha e a preservação dos cascos

Expedição utiliza tecnologia de ponta para mapear em 3D naufrágios históricos no Atlântico Norte

Uma expedição promovida pela Royal Canadian Geographical Society utilizou tecnologia de ponta para mapear e reconstruir em 3D os destroços de duas embarcações históricas no Atlântico Norte, nas profundezas próximas à Gronelândia. O foco principal da missão foi o Quest, último navio de Ernest Shackleton, além da documentação do Terra Nova, utilizado por Robert Falcon Scott.

A operação teve início em 2 de julho, partindo da Instituição Oceanográfica Woods Hole, em Massachusetts. Para alcançar os naufrágios, a equipe utilizou o submarino tripulado Alvin, que permitiu a observação de estruturas preservadas sob sedimentos e na escuridão do fundo do mar.

Mapeamento digital do Quest

Localizado a mais de 305 metros de profundidade no Mar de Labrador, o Quest mantém grande parte de sua estrutura original. Para a recriação digital, foi empregado um sistema de imagem submarina da empresa canadense Voyis, que captura milhares de fotografias e medições tridimensionais.

Esses dados são processados para gerar um modelo digital detalhado, permitindo analisar a posição e o estado do navio sem a necessidade de remover qualquer material do leito oceânico. John Geiger, responsável pela missão, destacou que a capacidade de visualizar essas estruturas em alta resolução na tela representa um avanço significativo para a localização e o estudo de naufrágios históricos.

O Quest possui um vínculo direto com Ernest Shackleton, que faleceu de um ataque cardíaco a bordo da embarcação em 1922, aos 47 anos, enquanto planejava explorar o Ártico canadense. O navio permaneceu em atividade por décadas, vindo a naufragar em 1962. Seus restos foram localizados apenas em 2024, em uma expedição anterior também liderada por Geiger.

O legado do Terra Nova

A missão também registrou o Terra Nova, navio de madeira com três mastros que transportou Robert Falcon Scott em sua tentativa de atingir o Polo Sul em 1910. Scott alcançou o objetivo em 17 de janeiro de 1912, porém constatou que o norueguês Roald Amundsen havia chegado ao local cerca de um mês antes. O explorador e seus quatro companheiros morreram durante a viagem de retorno.

Análise biológica e preservação

Além do registro histórico, a expedição visa estudar a vida marinha que se estabeleceu ao redor dos cascos e compreender os processos de transformação química e física causados pelo oceano. Durante as descidas, os pesquisadores identificaram a presença de redes de arrasto pesadas que cobrem parcialmente os destroços.

A criação dessas reconstruções digitais é considerada fundamental para preservar a memória das embarcações antes que a degradação natural do ambiente marinho as destrua completamente.

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