Experimento de física traz novas evidências sobre a composição interna de prótons e nêutrons
Experimento da colaboração STAR no Relativistic Heavy Ion Collider indica que o número bariônico reside na união bariônica do campo de gluões. A análise de colisões de núcleos de rutênio, zircônio e ouro desfavorece a teoria dos quarks de valência. O estudo foi publicado na revista *Science
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F9ab%2Fd21%2Fe07%2F9abd21e07ea90f696fd59a69faebb279.jpg)
Um experimento de física de partículas conduzido pela colaboração STAR trouxe novas evidências sobre os mecanismos que permitem a existência da matéria. O estudo, publicado na revista Science, testa uma hipótese formulada há cinco décadas sobre a composição interna de prótons e nêutrons, questionando a explicação tradicional sobre a conservação de propriedades essenciais dessas partículas.
O foco da investigação é o número bariônico, característica fundamental para a distinção entre matéria e antimatéria. Até então, a visão predominante na física indicava que essa propriedade estaria vinculada aos três quarks de valência presentes em cada bário. Contudo, uma proposta alternativa surgida na década de 1970 sugere que o número bariônico resida em uma estrutura chamada união bariônica, localizada dentro do campo de gluões — partículas que transmitem a interação forte responsável por manter os quarks unidos.
Metodologia e análise de colisões
Para diferenciar as duas teorias, que historicamente apresentavam resultados semelhantes, a equipe utilizou o Relativistic Heavy Ion Collider (RHIC), no Brookhaven National Laboratory. A estratégia consistiu em analisar colisões entre núcleos de rutênio e zircônio, comparando o transporte de carga elétrica com o deslocamento do número líquido de bários.
A distinção técnica baseia-se no fato de que os quarks de valência possuem carga elétrica, enquanto a união bariônica é neutra. As medições revelaram que os bários conseguiram se deslocar por distâncias maiores na região de alta energia gerada pelas colisões do que a própria carga elétrica.
Para refinar a análise, os pesquisadores realizaram:
- Colisões fotonucleares com núcleos de ouro, utilizando fótons para observar o transporte do número bariônico de forma mais precisa.
- Comparação de dados com modelos computacionais.
- Cruzamento de informações com registros anteriores de colisões de ouro (Au+Au) em diferentes níveis de energia.
Implicações para a física de partículas
Os dados obtidos desfavorecem a teoria dos quarks de valência, apontando para a validade do modelo da união bariônica e do campo de gluões. Embora os cientistas admitam que ainda não há uma medição direta e definitiva do mecanismo microscópico, os resultados atuais inclinam-se para a hipótese da união bariônica.
A definição de se o transporte do número bariônico ocorre via quarks ou pelo campo gluônico é crucial para compreender a organização da matéria estável através da interação forte. Além disso, essa descoberta oferece subsídios para investigar a assimetria do universo, buscando entender por que a matéria prevalece sobre a antimatéria.