Ciência

FDA aprova vacina de mRNA contra a gripe sazonal para adultos com 50 anos ou mais

14 de Agosto de 2026 às 06:01

O FDA aprovou, em 5 de agosto de 2026, uma vacina de mRNA contra a gripe sazonal para adultos com 50 anos ou mais. O imunizante apresenta maior eficácia que as versões convencionais e utiliza um sistema de fabricação programável

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A aprovação de uma nova vacina de mRNA contra a gripe sazonal, ocorrida em 5 de agosto de 2026 pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), marca a expansão de uma tecnologia que altera a lógica de desenvolvimento de imunizantes. Destinada a adultos com 50 anos ou mais, a nova vacina apresenta maior eficácia de proteção do que as versões convencionais, consolidando a transição de um modelo de fabricação anteriormente lento e específico para cada candidato a vacina para um sistema programável e transferível.

Funcionamento e estrutura da tecnologia

O RNA mensageiro (mRNA) opera como um conjunto de instruções genéticas compostas por quatro aminoácidos (A, C, G e U), que determinam a produção de proteínas específicas. Para que esse medicamento funcione no organismo, ele é composto por dois elementos: as moléculas de mRNA e as nanopartículas de mRNA-lipídios (LNPs). Estas últimas são esferas de aproximadamente 100 nanômetros, formadas por colesterol e fosfolipídios, que protegem o material genético da degradação e permitem a entrega nas células-alvo.

Uma vez internalizado, o mRNA orienta a célula a produzir a proteína necessária para o efeito terapêutico. Nas vacinas contra a COVID-19, por exemplo, o processo gera uma versão inofensiva da proteína spike do vírus, preparando o sistema imunológico para reconhecer a infecção real.

Vantagens produtivas e previsibilidade

Diferente dos fármacos tradicionais, os medicamentos de mRNA são facilmente programáveis, podendo ser produzidos em larga escala a partir de matrizes de DNA. A alteração do medicamento ocorre apenas com a mudança dessas matrizes, o que reduz custos e riscos financeiros.

Além disso, a tecnologia oferece alta previsibilidade: medicamentos produzidos pelo mesmo método tendem a ter a mesma degradação, níveis de resposta imune e direcionamento tecidual. Outro ponto relevante é a curta meia-vida do mRNA nas células — cerca de um dia —, característica que torna a tecnologia ideal para tratamentos que não devem permanecer prolongadamente no corpo, como as vacinas, que geram proteção duradoura após uma exposição breve.

Desafios imunológicos e soluções químicas

A capacidade do mRNA de estimular o sistema imune pode ser um obstáculo para tratamentos não vacinais. Isso ocorre por dois motivos principais:

  1. Localização celular: O mRNA terapêutico entra nas células via endossomos, local onde o sistema imune costuma detectar vírus de RNA, disparando respostas inflamatórias. Para mitigar isso, cientistas substituíram a uridina por análogos químicos (pseudouridina e N1-metilpseudouridina), técnica que rendeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2023 e é utilizada pelas vacinas da Moderna e Pfizer-BioNTech.
  2. Impurezas de produção: A proteína RNA polimerase, usada na fabricação, pode gerar RNA de fita dupla. Embora esse subproduto ajude a potencializar anticorpos em vacinas, ele precisa ser removido em outros medicamentos para evitar efeitos colaterais.

Aplicações futuras e edição genética

A versatilidade do mRNA permite a exploração de terapias para doenças complexas, desde que o alvo exija a presença da proteína por curto período. Um exemplo é a utilização de mRNA para codificar proteínas de edição genética CRISPR-Cas9, visando a inativação de genes patogênicos.

Essa estratégia está sendo testada para tratar a amiloidose hereditária por transtiretina, doença rara que acumula proteínas no coração e nervos. Como a proteína-alvo é produzida no fígado — órgão por onde a maioria dos fármacos passa —, a entrega do CRISPR-Cas9 é facilitada.

Para viabilizar tratamentos de longa duração ou com baixa reação imune, a ciência trabalha agora em algoritmos computacionais para estabilizar sequências de mRNA e na engenharia de RNA-polimerases que reduzam a criação de subprodutos inflamatórios. Essas pesquisas, conduzidas inclusive em centros como a Escola de Medicina Chan da Universidade do Massachusetts (UMass), buscam expandir a aplicação do mRNA para além da imunização.

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