Ciência

Fiocruz impulsiona participação feminina na ciência com programa de imersão para estudantes

12 de Fevereiro de 2026 às 10:05

Raíssa Ferreira, Beatriz Silva, Duane de Souza e Sulamita Morais, estudantes de 17 anos, participaram de um programa de imersão na Fiocruz, iniciativa que visa promover a presença feminina na ciência. A Fundação Oswaldo Cruz realiza o programa desde 2020, com o objetivo de reconhecer cientistas mulheres, pesquisar sobre gênero e estimular o interesse de meninas pela área. Em 2024, 150 alunas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro participaram da imersão, conhecendo os trabalhos da instituição

A estudante Raíssa Cristine de Medeiros Ferreira, de 17 anos, recorda a determinação da mãe em direcioná-la para a química, uma decisão que acabou moldando seu futuro. O incentivo, inicialmente apresentado como um ultimato, despertou em Raíssa uma curiosidade que a acompanha desde a infância, culminando em sua participação ativa em iniciativas que promovem a presença feminina na ciência.

Raíssa é um dos rostos visíveis de um movimento celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciências. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas em 2015, busca dar visibilidade à desigualdade de gênero em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática – campos historicamente dominados por homens.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) acompanha essa mobilização desde 2020, oferecendo um programa de imersão de verão para estudantes do ensino médio. Em 2025, a iniciativa recebeu Raíssa e, este ano, também sua amiga Beatriz Antônio da Silva, ambas com 17 anos e alunas de um instituto federal.

O interesse de Beatriz pela carreira científica foi estimulado por uma professora de física, que compartilha a experiência de ter enfrentado preconceito e negligência em um ambiente acadêmico predominantemente masculino. A educadora busca, através de seu trabalho, abrir caminhos para que novas gerações de meninas negras tenham acesso a oportunidades na área.

A Fiocruz, segundo Beatriz Duqueviz, analista de gestão em saúde pública e integrante da coordenação do Programa Mulheres e Meninas na Ciência, reconhece a importância da diversidade e da sensibilidade feminina na pesquisa científica. A criação do programa na instituição se deu durante a gestão de Nísia Trindade, primeira mulher a ocupar os cargos de presidente da Fundação e de ministra da Saúde.

O programa da Fiocruz atua em três frentes: o reconhecimento e a valorização de cientistas mulheres, a realização de pesquisas sobre gênero e o estímulo ao interesse pela ciência entre meninas. Beatriz Duqueviz observa que o desinteresse feminino pela ciência frequentemente se manifesta na infância e se agrava com as dificuldades enfrentadas por meninas de baixa renda, que precisam conciliar os estudos com as responsabilidades domésticas.

Neste ano, 150 alunas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro participaram da imersão de verão na Fiocruz, tendo a oportunidade de conhecer os trabalhos desenvolvidos em 13 unidades da Fundação. Duane de Souza, de 17 anos, moradora de Bangu, soube do programa através das redes sociais e viu na iniciativa a possibilidade de direcionar seus estudos em biologia.

A programação da imersão foi pensada para apresentar a ciência de forma realista, desmistificando estereótipos. Luciana Dias de Lima, co-editora chefe da Revista Cadernos de Saúde Pública, ressalta que a ciência é frequentemente um esforço coletivo e multidisciplinar, e que as estudantes precisam compreender essa dinâmica. A revista, atualmente, conta com três pesquisadoras em seus cargos de co-editoria chefe.

Luciana Dias de Lima aponta que, apesar dos avanços, alcançar posições de destaque na carreira científica ainda é um desafio para as mulheres, que frequentemente precisam conciliar o trabalho com as responsabilidades familiares e superar preconceitos de gênero.

Sulamita do Nascimento Morais, de 17 anos, estudante de uma escola estadual no Méier, já definiu seu caminho: a ciência da computação. Ela relata que, em sua trajetória, superou o tabu de que a tecnologia é um campo predominantemente masculino, encontrando apoio em projetos de estímulo à ciência para meninas e na imersão na Fiocruz. A experiência a convenceu de que é possível seguir seus sonhos, impor sua voz e fazer a diferença como mulher na ciência.

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