Ciência

Física americana lidera pesquisa para conciliar a relatividade com a física quântica no Canadá

13 de Agosto de 2026 às 06:02

A física Sabrina Pasterski lidera no Instituto Perimeter de Física Teórica a busca pela unificação entre a relatividade e a física quântica. A pesquisadora utiliza a holografia celestial para representar processos de quatro dimensões por meio de descrições matemáticas bidimensionais

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Física americana lidera pesquisa para conciliar a relatividade com a física quântica no Canadá
Reprodução/TV Globo

A física americana Sabrina Pasterski, frequentemente referida como a "Nova Einstein", lidera atualmente uma investigação no Instituto Perimeter de Física Teórica, no Canadá, para solucionar um dos maiores impasses da ciência contemporânea: a conciliação entre a relatividade e a física quântica.

O desafio reside na incompatibilidade entre as duas teorias. Enquanto a relatividade de Albert Einstein define o espaço-tempo em quatro dimensões (três espaciais e uma temporal), tratando espaço e tempo como grandezas variáveis, a física quântica rege o comportamento de partículas microscópicas e fundamenta tecnologias como computadores e celulares. A complexidade matemática para unificar essas duas visões é tamanha que equações específicas superam a capacidade de processamento dos computadores mais modernos.

A proposta da holografia celestial

Para enfrentar esse problema, Pasterski desenvolve pesquisas baseadas na holografia celestial. A técnica busca utilizar descrições matemáticas em duas dimensões para representar processos que ocorrem no universo de quatro dimensões.

O método funciona de forma análoga a um holograma, onde informações bidimensionais geram a percepção de uma imagem tridimensional. No caso da física teórica, essa representação ocorre por meio de uma esfera celeste. De acordo com a astrofísica Lia Medeiros, da Universidade de Wisconsin, essa estrutura permite a descrição matemática de fenômenos do espaço-tempo de forma simplificada.

O objetivo central do projeto é verificar se existe, na fronteira de um sistema gravitacional, um sistema dinâmico com física equivalente que permita a realização de cálculos. No momento, a pesquisa concentra-se em encontrar modelos matemáticos que tornem a compreensão de problemas complexos mais acessível.

Trajetória acadêmica e formação

A inclinação de Pasterski para a ciência manifestou-se precocemente em Chicago. Aos 12 anos, montou um avião monomotor como projeto de feira de ciências, atividade que utilizou para gravar vídeos sobre as leis da física, citando Isaac Newton e Albert Einstein. Aos 16 anos, realizou seu primeiro voo solo.

Essa base prática e teórica viabilizou sua entrada no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde ingressou após uma negativa inicial. Posteriormente, concluiu doutorado na Universidade Harvard. Ao longo de sua formação, acumulou passagens por instituições de renome como a NASA, Boeing e Blue Origin. Um de seus primeiros artigos publicados chegou a atrair a atenção do astrofísico Stephen Hawking.

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