Físicos do MIT observam a reorganização da estrutura eletrônica de material quântico com pulsos de laser
Físicos do MIT observaram a reorganização da estrutura eletrônica do tritelureto de erbio utilizando pulsos de laser. O estudo, publicado na Nature Physics, identificou que as duas ondas de densidade de carga do material se recuperam por mecanismos de transição de fase distintos
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Físicos do MIT conseguiram observar a reorganização da estrutura eletrônica de um material quântico após a aplicação de pulsos de laser, revelando como diferentes fases eletrônicas emergem em um mesmo composto. O estudo, publicado na Nature Physics, utilizou o tritelureto de erbio — um composto de terras raras — para solucionar questionamentos de longa data sobre a física de materiais.
O comportamento do tritelureto de erbio
O material escolhido para o experimento destaca-se por abrigar simultaneamente duas ondas de densidade de carga (CDW). Esse fenômeno ocorre quando os elétrons abandonam a distribuição uniforme e se organizam coletivamente em padrões ondulatórios. No tritelureto de erbio, a primeira dessas fases surge quando a temperatura cai abaixo de -8 °C, enquanto a segunda se manifesta por volta de -113 °C. Como as duas ondas se cruzam perpendicularmente, elas estabelecem um tipo de circuito eletrônico interno no cristal.
Metodologia de observação por laser
Para analisar a formação dessas estruturas, a equipe utilizou amostras com espessura atômica resfriadas a quase -230 °C, assegurando a presença de ambas as fases. O processo de análise consistiu em duas etapas:
- Perturbação: Um primeiro pulso de laser foi disparado para enfraquecer ou destruir o padrão eletrônico existente.
- Monitoramento: Um segundo pulso, composto por fótons de alta energia, expulsou elétrons da amostra em intervalos precisos.
Essa técnica permitiu que os pesquisadores medissem a energia e o momento dos elétrons, reconstruindo a evolução do sistema e acompanhando a recuperação das fases de densidade de carga.
Diferenças nas transições de fase
A análise revelou que as duas ondas se recuperam por mecanismos físicos distintos. A onda dominante retornou de maneira gradual e uniforme, independentemente da intensidade da perturbação, caracterizando uma transição de fase de segundo ordem.
Já a fase secundária apresentou um comportamento diverso: a reorganização ocorreu por meio de pequenos núcleos isolados que cresceram e se expandiram até restaurar o padrão completo, de forma análoga ao congelamento da água e a formação de cristais de gelo. Esse processo define a estrutura como uma transição de primeiro ordem, resolvendo um debate técnico que persistia há anos.
Impacto para a tecnologia quântica
A descoberta demonstra que fases eletrônicas coexistentes em um único material podem originar-se de processos fundamentais diferentes. Nuh Gedik, professor do MIT e líder da pesquisa, aponta que essa abordagem oferece um método eficaz para revelar a física oculta em materiais quânticos.
A compreensão de como essas fases interagem é essencial para o estudo de supercondutores de alta temperatura, que podem combinar magnetismo, supercondutividade e ondas de densidade de carga. Alfred Zong, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Stanford, ressalta que a capacidade de controlar materiais com múltiplas fases coexistentes é vista como a chave para a eventual substituição do silício na tecnologia.