Florestas tropicais possuem potencial farmacêutico estimado em 628 bilhões de euros segundo estudo da ZCA
Análise da Zero Carbon Analytics estima que florestas tropicais possuem potencial farmacêutico de 628 bilhões de euros, com a Amazônia detendo 30% desse valor. O desmatamento desde 2001 já teria eliminado 75 bilhões de euros em valor comercial. O impacto social de possíveis medicamentos é calculado em 6,17 trilhões de euros
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As florestas tropicais do mundo abrigam um potencial farmacêutico estimado em 628 bilhões de euros, segundo análise da Zero Carbon Analytics (ZCA). O estudo quantifica o valor econômico de compostos químicos ainda desconhecidos presentes nesses ecossistemas, evidenciando que a ciência explorou apenas cerca de 1% das substâncias produzidas pelas plantas para fins medicinais.
Distribuição do potencial por região
A riqueza biológica está concentrada nas áreas de maior biodiversidade do planeta. A Amazônia detém a maior fatia desse valor, representando aproximadamente 30% do total, o que equivale a 189 bilhões de euros. Em seguida, as florestas do Sudeste Asiático somam 107 bilhões de euros, enquanto a bacia do Congo contribui com 39 bilhões de euros.
A natureza como base da medicina
A dependência da medicina moderna em relação aos recursos vegetais é expressiva. Atualmente, até 40% dos medicamentos são derivados de plantas. Esse índice foi ainda mais alto em tratamentos oncológicos: entre 1940 e 2014, três quartas partes dos remédios contra o câncer aprovados tiveram origem vegetal. Um exemplo concreto é o paclitaxel, composto extraído da casca do teixo do Pacífico e utilizado no combate a diversos tipos de câncer.
Impacto do desmatamento e perdas econômicas
A destruição dos ecossistemas tropicais compromete a descoberta de novas curas. Desde 2001, houve a perda de cerca de 13% dessas florestas. Ao correlacionar a biodiversidade vegetal com os mapas de desmatamento, a ZCA apurou que a destruição florestal já pode ter eliminado cerca de 75 bilhões de euros em valor farmacêutico comercial, com o risco de extinção de espécies endêmicas antes mesmo de qualquer análise química.
Valor social e conservação
Para além do lucro comercial, o impacto social dos possíveis medicamentos é drasticamente superior, alcançando a marca de 6,17 trilhões de euros. Esse montante engloba os benefícios de saúde pública que permaneceriam ativos mesmo após a expiração de patentes.
Diante desses dados, a análise sugere que empresas de biotecnologia, cosméticos e a indústria farmacêutica possuem um incentivo econômico direto para investir na conservação das florestas tropicais, visto que esses ambientes funcionam como bibliotecas químicas essenciais para futuras descobertas científicas.