Ciência

Fósseis confirmam a presença do mamífero Entelodon na Espanha há 30 milhões de anos

04 de Outubro de 2026 às 06:25 3 min de leitura

Fósseis do gênero Entelodon foram confirmados na província de Lérida, Espanha, datando de 30 milhões de anos. A identificação ocorreu após a análise de fragmentos dentários e mandibulares coletados no sítio de Rocallaura. O animal, classificado como Entelodon sp., era um mamífero onívoro de porte robusto

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Fósseis confirmam a presença do mamífero Entelodon na Espanha há 30 milhões de anos
John Day Fossil Beds National Monument Oregon

A presença do gênero Entelodon, animal popularmente chamado de "porco do inferno", foi confirmada na província de Lérida, na Espanha, há aproximadamente 30 milhões de anos. A descoberta, detalhada na revista Geologica Acta, resultou de um reexame de materiais fósseis coletados no sítio de Rocallaura, próximo a Vallbona de les Monges, conduzido por Ángel H. Luján, do Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont (ICP-Cerca).

Identificação e classificação taxonômica

A confirmação do animal baseou-se na análise de três fragmentos: um canino, um molar superior e um pedaço de mandíbula. Embora o material seja escasso, as características anatômicas permitiram enquadrar o espécime na família dos entelodóntidos, mamíferos artiodáctilos extintos que habitaram a América do Norte e a Eurásia entre 35 e 25 milhões de anos atrás.

Anteriormente, os fósseis de Rocallaura eram atribuídos à espécie Entelodon magnus. No entanto, a nova revisão técnica demonstrou que as peças não coincidem com essa espécie nem com a E. deguilhemi. Por esse motivo, o animal foi classificado como Entelodon sp., indicando que, embora o gênero seja certo, ainda não há evidências suficientes para definir a espécie exata.

Características biológicas e evolução

Apesar da semelhança física com um javali gigante — o que justifica seu apelido —, o Entelodon possui uma linhagem evolutiva distinta dos suídos modernos, estando mais próximo de cetáceos e hipopótamos. O exemplar europeu apresentava um porte robusto, com cerca de 1,35 metros de altura até os ombros e um crânio de aproximadamente 65 centímetros, sustentado por um pescoço curto.

Quanto ao comportamento alimentar, esses mamíferos eram onívoros. A musculatura potente da mandíbula e o tamanho dos dentes permitiam que atuassem como predadores oportunistas e carroceiros, adaptando-se a diferentes tipos de alimento.

Contexto geológico e registro fóssil

O achado situa-se no Rupeliense, a fase inicial do Oligoceno. Naquele período, cerca de 36 milhões de anos após a extinção dos dinossauros não aviários, os mamíferos já dominavam os ecossistemas terrestres, e o Entelodon circulava pela Bacia do Ebro.

A descoberta é considerada rara para o registro fóssil europeu, visto que a maioria dos remanescentes desse grupo foi encontrada na Ásia e na América do Norte. Para complementar o estudo, o pesquisador Jesús Gamarra, também do ICP, desenvolveu uma reconstrução científica que projeta a anatomia do animal inserida no ambiente da época.

Atualmente, a equipe do ICP analisa fósseis de locais vizinhos, como Talladell, para tentar identificar a espécie exata e compreender o papel ecológico dos entelodóntidos na península Ibérica.

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