Ciência

Fósseis encontrados na Tailândia revelam que Denisovanos possuíam porte físico comparável ao de humanos modernos

20 de Agosto de 2026 às 06:22

Fósseis de fêmur e tíbia de Denisovanos, datados de 45 mil anos e encontrados no Canal de Penghu, indicam indivíduos com altura entre 180 e 190 centímetros. A identificação ocorreu por análise proteômica, revelando porte físico robusto e dieta baseada em proteína animal

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Fósseis encontrados na Tailândia revelam que Denisovanos possuíam porte físico comparável ao de humanos modernos
Fuente: Science Photo Library

Fósseis de um fêmur e uma tíbia, recuperados a 60 metros de profundidade no Canal de Penghu, na Tailândia, revelam que os Denisovanos possuíam dimensões corporais surpreendentes há 45 mil anos. Os espécimes, catalogados como Penghu 2 e Penghu 3 e preservados no Museu Nacional de Ciências Naturais da Tailândia, indicam que essa espécie extinta de hominídeos apresentava porte físico comparável ao de indivíduos modernos de alta estatura.

Até então, o conhecimento sobre os Denisovanos era limitado a dentes, mandíbulas e pequenos fragmentos ósseos encontrados no leste da Ásia, Tibete e Sibéria. A nova descoberta altera a percepção sobre a evolução humana na Ásia ao evidenciar a robustez desses parentes distantes dos neandertais.

Análise proteômica e identificação

Devido à ausência de DNA preservado, a identificação dos fósseis foi realizada via análise proteômica. Através de espectrometria de massas, pesquisadores sequenciaram milhares de aminoácidos extraídos do interior dos ossos. A confirmação da linhagem ocorreu com a detecção da variante COL1A2 R996K na proteína do colágeno tipo I, que apresenta o aminoácido lisina na posição 996, diferindo da arginina encontrada em Homo sapiens e neandertais.

Mapas filogenéticos baseados em 15 proteínas distintas confirmaram a classificação dos espécimes como Denisovanos. Cálculos tridimensionais detalharam as dimensões dos indivíduos:

  • Penghu 2: aproximadamente 180 centímetros de altura e 83 quilos.
  • Penghu 3: aproximadamente 190 centímetros de altura e 91 quilos.

Biomecânica e adaptação ambiental

A estrutura física desses hominídeos desafia a regra de Bergmann, que associa tamanhos corporais maiores a latitudes frias para a conservação de calor. Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, observou que a constituição robusta é paradoxal para as condições mais quentes da região de Taiwã, mesmo considerando o período glacial.

No caso do Penghu 2, o fêmur apresenta uma cresta óssea posterior robusta, característica comum em humanos modernos e ligada a alta mobilidade terrestre. Essa evidência sugere que a espécie poderia ter desenvolvido tal adaptação devido a longas migrações nomádicas ou por meio de fluxo genético resultante de cruzamentos com os primeiros Homo sapiens que circulavam pela região.

Dieta e comportamento

Análises de isótopos estáveis de nitrogênio e carbono indicam que o indivíduo Penghu 3 vivia em pradarias ou savanas. A dieta era baseada predominantemente em proteína animal, evidenciando que a massa corporal elevada era essencial para a caça de megaherbívores por meio da força física. Esse comportamento contrasta com a estratégia dos ancestrais diretos do homem moderno, que já utilizavam embarcações e anzóis para diversificar a alimentação.

Adam Brumm, da Universidade Griffith, comparou a estatura e o peso do Penghu 3 aos de atletas modernos, ressaltando a imponência desses indivíduos frente a outros hominídeos da época, como o H. floresiensis.

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