Ciência

Fóssil de peixe encontrado em Mato Grosso revela espécie inédita para a ciência

26 de Agosto de 2026 às 06:00

Um fóssil de 254 milhões de anos da espécie inédita Leolepis matogrossensis foi encontrado em Mato Grosso. O exemplar de 15 centímetros, coletado em 2005, apresenta preservação quase total do corpo. O estudo foi publicado no *Journal of South American Earth Sciences

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Um fóssil de peixe datado de aproximadamente 254 milhões de anos, encontrado em território mato-grossense, revelou a existência de uma espécie inédita para a ciência. Batizado de Leolepis matogrossensis, o animal possuía cerca de 15 centímetros e apresenta um estado de conservação excepcional, com quase todo o corpo preservado.

A descoberta, detalhada em estudo publicado em julho no Journal of South American Earth Sciences, destaca-se pela raridade. Enquanto a maioria dos registros de peixes do período Permiano no Brasil consiste em fragmentos isolados, como escamas, dentes ou ossos, este exemplar permitiu a análise detalhada de mandíbulas, escamas e partes do crânio, facilitando a comparação com outras espécies ancestrais.

Contexto geológico e extinção em massa

O Leolepis matogrossensis habitou ambientes de água doce ao final do Permiano, período que antecedeu a maior extinção em massa da história do planeta, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos. Esse evento catastrófico eliminou aproximadamente 94% das espécies marinhas e mais de 70% das terrestres, sendo atribuído por hipóteses científicas a intensas atividades vulcânicas.

O local da coleta do fóssil situa-se a 50 quilômetros da cratera de Araguainha, localizada entre Mato Grosso e Goiás. A estrutura, com 40 quilômetros de diâmetro, é a maior e mais preservada evidência de impacto de asteroide na América do Sul, originada por um corpo celeste de 2 a 3 quilômetros de extensão.

Contudo, a pesquisa esclarece que não há relação entre o impacto do asteroide e a extinção do fim do Permiano. O estudo indica que o peixe viveu antes da colisão e que as rochas que abrigavam o fóssil não sofreram alterações diretas causadas pelo evento da cratera.

Origem do achado

O exemplar foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e integra atualmente a coleção paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A nomenclatura da espécie reflete essa trajetória: Leolepis é uma homenagem ao geólogo responsável pela coleta, enquanto matogrossensis identifica o estado onde o fóssil de peixe foi localizado.

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