Fóssil de peixe pré-histórico encontrado na Argentina revela mordida comparável à de tubarão branco
A descoberta de uma mandíbula fossilizada na Argentina revelou o Megapiranha paranensis, peixe que viveu entre 8 e 10 milhões de anos atrás. O espécime apresenta dentes em zigzag e força de mordida estimada entre 1.240 e 4.749 newtons. A estrutura mandibular serve como elo evolutivo para a dentição das pirañas
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A descoberta de uma mandíbula fossilizada na Argentina revelou a existência do Megapiranha paranensis, um peixe sul-americano que viveu entre 8 e 10 milhões de anos atrás. O espécime, descrito originalmente em 2009 no Journal of Vertebrate Paleontology por Alberto Cione, Wasila Dahdul, John Lundberg e Antonio Machado-Allison, apresenta características anatômicas que servem de elo para a compreensão da evolução da dentição das pirañas.
Evolução da dentição e descoberta do fóssil
O fragmento do maxilar superior foi recuperado na formação Paraná, na Argentina, ainda no início do século XX, mas permaneceu esquecido em coleções por décadas. A relevância da peça foi identificada apenas nos anos 80, quando o paleontólogo Alberto Cione, do Museu de La Plata, analisou o osso. O fóssil preservava três dentes grandes e pontiagudos, embora a estimativa seja de que o maxilar completo possuísse sete.
O diferencial do Megapiranha paranensis reside na disposição de seus dentes, que se organizavam em zigzag. Essa configuração é considerada intermediária entre as duas fileiras de dentes dos pacúes (parentes herbívoros) e a fileira única e triangular das pirañas modernas. Para John Lundberg, curador da Academy of Natural Sciences de Filadelfia, a estrutura sugere um processo de migração dos dentes da segunda para a primeira fileira.
Potência da mordida e biomecânica
Embora o tamanho exato do animal seja debatido devido à fragmentação dos restos — com estimativas que variam entre 0,7 metro e 10 kg até a possibilidade de ultrapassar um metro de comprimento e ter a massa de um ser humano —, sua capacidade mecânica foi detalhada em um estudo de 2012.
A análise da mecânica mandibular indicou que o peixe exercia uma pressão extraordinária, com a força da mordida oscilando entre 1.240 e 4.749 newtons. Esse poder de compressão seria suficiente para triturar ossos. Em termos comparativos:
- A estimativa mais conservadora equivale à mordida de um tubarão branco de 400 kg.
- O modelo baseado na geometria específica da mandíbula sugere uma força comparável à de um exemplar de 3 toneladas.
Essa eficiência biomecânica é comparável à da piraña negra atual, que registra mordidas de 320 newtons — quase três vezes a força de um caimã americano de porte similar. Tal capacidade é atribuída a músculos que representam mais de 2% do peso corporal e a uma configuração mandibular otimizada.
Apesar de a dieta do Megapiranha paranensis permanecer desconhecida, a combinação de dentes especializados e força mecânica evidencia que os rios sul-americanos do Mioceno abrigavam predadores com capacidades físicas significativamente distintas das espécies contemporâneas.