Fóssil de réptil marinho da China preserva órgãos internos com detalhes excepcionais
Fóssil de Austronaga minuta, réptil marinho de 245 milhões de anos, foi encontrado em Yunnan, China. O exemplar de 60 cm preserva órgãos internos, como estômago de câmara única, fígado e intestinos. O animal pertence à linhagem dos *arcossauros
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Um fóssil de um réptil marinho de pescoço longo, datado de 245 milhões de anos, foi descoberto na província de Yunnan, no sul da China. O exemplar pertence à espécie Austronaga minuta, do Período Triássico, e apresenta um estado de conservação excepcional, permitindo a observação detalhada de órgãos internos como o estômago, o fígado e os intestinos.
A região onde o animal foi desenterrado é conhecida por preservar fósseis de um período de intensa inovação evolutiva, ocorrido após a maior extinção em massa da história da Terra.
Anatomia e adaptação aquática
O indivíduo da espécie Austronaga media aproximadamente 60 cm. Sua estrutura física era composta por uma cabeça pequena, focinho estreito com dentes semelhantes a presas — adaptados para a captura de peixes —, além de pescoço e tronco longos e uma cauda ainda mais extensa. O animal possuía nadadeiras dianteiras grandes e nadadeiras traseiras pequenas.
Descendente de répteis terrestres, o espécime demonstrava alta agilidade no nado, utilizando a cauda para propulsão, as nadadeiras dianteiras para manobras e o pescoço alongado para a caça.
O Austronaga pertence à linhagem dos arcossauros, grupo que engloba as aves, os crocodilos, os pterossauros e os dinossauros. Embora existissem diversos tipos de répteis marinhos na época, este animal apresentava o maior nível de adaptação ao ambiente aquático entre os membros de sua linhagem.
Revelações do sistema digestivo
A preservação do esqueleto na posição original é complementada pela raridade da manutenção do sistema gastrointestinal completo. A análise revelou que o animal possuía um estômago de câmara única, em formato de saco. Essa característica difere das câmaras duplas encontradas em crocodilos, aves e alguns dinossauros, indicando que a estrutura de duas câmaras evoluiu em um estágio posterior da linhagem dos arcossauros primitivos.
Posicionado atrás do estômago, o fígado do animal ainda mantém a coloração vermelha, resultado da presença de hemoglobina, proteína rica em ferro responsável pelo transporte de oxigênio e dióxido de carbono no organismo.
O sistema digestivo era finalizado por um tubo longo, composto pelos intestinos delgado e grosso. A estrutura simplificada, caracterizada por um tubo predominantemente reto, é típica de répteis predadores, já que a digestão de carne e peixes é menos complexa do que a de plantas. Esse formato contrasta com os intestinos mais longos e dobrados observados em arcossauros posteriores, incluindo os dinossauros, que surgiram há cerca de 230 milhões de anos.