Ciência

Fóssil de réptil marinho encontrado na Espanha é o primeiro registro da espécie fora do Reino Unido

10 de Setembro de 2026 às 09:07 3 min de leitura

Um fóssil de Ichthyosaurus anningae de 192 milhões de anos foi identificado nas falésias de Vega, na Espanha. O exemplar adulto, com dois metros de comprimento, é o primeiro registro da espécie fora do Reino Unido. O achado foi analisado por pesquisadores de diversas instituições e publicado na revista *Acta Palaeontologica Polonica

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Fóssil de réptil marinho encontrado na Espanha é o primeiro registro da espécie fora do Reino Unido
Reserva Natural de Rutland

A descoberta de um fóssil de réptil marinho nas falésias de Vega, em Ribadesella, revelou a presença da espécie Ichthyosaurus anningae na região de Astúrias, na Espanha. O achado, datado de aproximadamente 192 milhões de anos, representa o primeiro registro confirmado desta espécie fora do Reino Unido, expandindo a área de distribuição geográfica conhecida do animal durante o Jurássico Inferior.

A análise do exemplar foi conduzida por pesquisadores do Museu Jurássico de Astúrias (MUJA), do Conicet, do Museu de La Plata e do Rochester Institute of Vertebrate Paleontology, com os resultados publicados na revista Acta Palaeontologica Polonica.

Detalhes do achado e preservação

Os ossos foram localizados em 2009 por José Antonio Sánchez Féliz, incrustados em rochas ao leste de Vega. Devido à fragilidade do crânio dos ictiosáurios, a preparação do material ocorreu de forma lenta. O trabalho laboratorial recuperou vértebras, dentes, costelas, parte da nadadeira esquerda e elementos cranianos, alguns preservados em três dimensões.

O fóssil estava inserido em uma argila escura da Formação Rodiles. A datação do animal foi possível graças ao estudo de ammonites encontrados nos mesmos níveis geológicos, situando o exemplar no período Pliensbachiense. Este intervalo temporal é de especial interesse para a ciência, dado que o registro global de ictiosáurios desse período é escasso.

Características da espécie

A identificação como Ichthyosaurus anningae foi possível através de características diagnósticas do crânio e da forma do úmero. O exemplar asturiano, com cerca de dois metros de comprimento, é um adulto e constitui o maior indivíduo desta espécie já catalogado. O nome do animal é uma homenagem a Mary Anning, pioneira no estudo de répteis marinhos jurássicos.

Ecossistema e biodiversidade

Há 192 milhões de anos, a região de Astúrias era coberta por uma plataforma marinha com menos de 100 metros de profundidade e fundo lamacento com baixos níveis de oxigênio. Esse ambiente abrigava diversos répteis adaptados à vida aquática, incluindo plesiosáurios e ictiosáurios.

O estudo comparativo entre o exemplar de Vega e outro ictiosaurio do gênero Leptonectes, encontrado anteriormente em Villaviciosa, revelou diferenças alimentares marcantes:

  • Ichthyosaurus anningae: possuía dentes cônicos, robustos e com pontas arredondadas, indicando uma dieta generalista.
  • Leptonectes: apresentava dentição fina, delicada e estriada, característica de animais adaptados à alimentação baseada em peixes.

A coexistência dessas espécies, com nichos alimentares distintos, evidencia a diversidade do ecossistema marinho da época, consolidando a costa de Astúrias e o MUJA como centros de referência para o estudo de répteis marinhos do Jurássico Inferior na Península Ibérica.

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