Fóssil revela cadeia alimentar entre pterossauro, ictiosauro e pliosauro no Cretáceo inferior
Fóssil de ictiosauro Platypterygius australis encontrado em Queensland revela a ingestão de um pterossauro e marcas de mordidas de um pliosauro. O estudo publicado na Gondwana Research reconstrói a cadeia alimentar do Cretáceo inferior
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Um fóssil localizado na Formação Toolebuc, em Queensland, revelou a interação entre três grandes vertebrados do Cretáceo inferior, permitindo a reconstrução de uma cadeia alimentar pré-histórica. O estudo, publicado na revista Gondwana Research, detalha a conexão entre um pterossauro, um ictiosauro e um pliosauro por meio de evidências físicas de alimentação e marcas de mordidas preservadas nos ossos.
A interação entre predadores e presas
O centro da descoberta é um exemplar de Platypterygius australis, um ictiosauro com extensão entre 6 e 7 metros, encontrado próximo a Richmond. A análise do esqueleto revelou, na região do crânio, fragmentos de um pterossauro, além de conchas e costelas de peixes. A disposição desses elementos indica que o réptil voador teria sido ingerido pelo ictiosauro, tornando este o primeiro registro documentado de tal comportamento alimentar entre essas espécies.
Embora exista a possibilidade de as correntes marítimas terem deslocado os ossos para junto do cadáver, a escassez de restos de pterossauros na região e a posição dos fragmentos junto a outros alimentos reforçam a tese de ingestão.
Evidências de um predador superior
O Platypterygius australis também serviu de presa. Suas vértebras apresentam marcas cônicas e profundas, além de ossos partidos e amassados, resultantes de uma forte pressão. O padrão dessas lesões descarta a ação de tubarões, apontando para a dentição de um grande pliosauro.
O principal suspeito é o Kronosaurus queenslandicus, o maior predador marinho daquela região, que podia ultrapassar os 10 metros de comprimento. De acordo com Matt White, pesquisador da Universidade de Nova Inglaterra e autor principal do estudo, as marcas de mordidas no corpo do ictiosauro são distintas dos danos encontrados na cabeça e no rosto, que teriam sido causados por processos geológicos após a deposição do animal no fundo do mar.
Reconstrução ecológica do Cretáceo
A sequência de eventos preservada em pedra demonstra um ciclo onde um pterossauro foi capturado por um ictiosauro, que, por sua vez, foi atacado por um pliosauro. Embora não seja possível afirmar se o Kronosaurus queenslandicus caçou a presa viva ou se alimentou de sua carcaça, as fraturas comprovam a interação intensa entre os animais.
A região de Richmond é reconhecida pela diversidade de fósseis de tartarugas, aves, dinossauros, pliosauros, plesiosauros e pterossauros. Para a equipe de pesquisa, este achado específico vai além da identificação de espécies, permitindo compreender as relações ecológicas e a sobrevivência nos oceanos pré-históricos.