Fragmentação de satélite chinês gera dezenas de detritos em órbita e ameaça segurança espacial
A fragmentação do satélite chinês Yaogan-50 (02), detectada em 4 de setembro, gerou 43 detritos em órbita. Os fragmentos estão espalhados entre 600 km e 1.100 km de altitude, região onde a baixa resistência atmosférica dificulta a reentrada natural
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A fragmentação de um satélite chinês de reconhecimento, o Yaogan-50 (02), gerou a dispersão de dezenas de detritos em órbita, criando um risco prolongado para a segurança de outros objetos espaciais. O incidente foi identificado após a Força Espacial dos EUA catalogar 43 fragmentos provenientes da nave, conforme monitoramento realizado por Jonathan McDowell, ex-astrofísico do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.
Lançado em 15 de março de 2026 por meio do foguete Long March 6A, o satélite operava em uma altitude de aproximadamente 952 km. O diferencial técnico da missão era sua órbita retrógrada, com inclinação de 142 graus, o que significa que a nave se deslocava na direção oposta à rotação da Terra.
Riscos e persistência orbital
A desintegração, detectada em 4 de setembro, espalhou detritos entre 600 km e 1.100 km de altitude. A localização desses fragmentos é crítica devido à baixa resistência atmosférica nessas camadas, o que impede a reentrada natural e rápida dos objetos na Terra.
Dados da NASA indicam que a permanência de detritos no espaço varia conforme a altitude:
- Abaixo de 600 km: o atrito atmosférico promove o retorno à Terra em alguns anos.
- A 800 km: a degradação orbital pode levar séculos.
- Acima de 1.000 km: a permanência pode se estender por milhares de anos.
Essa persistência eleva a probabilidade de colisões com outros satélites ou detritos já existentes, o que poderia desencadear novas fragmentações. Atualmente, a Agência Espacial Europeia contabiliza mais de 1,5 milhão de detritos espaciais ao redor do planeta, resultado de mais de 660 eventos anormais, como explosões ou impactos.
Causas e finalidade da missão
A origem da anomalia que destruiu o Yaogan-50 (02) ainda não foi estabelecida. As hipóteses técnicas incluem falhas na bateria, problemas no sistema de propulsão ou a colisão com outro objeto orbital.
Embora a China classifique a família de satélites Yaogan-50 como ferramentas de reconhecimento para prevenção de desastres, estimativas de produção agrícola e estudos territoriais, há a possibilidade de que a nave também operasse em funções de vigilância militar e inteligência.